O Porto Itapoá, localizado no litoral norte catarinense, anunciou a incorporação de dois novos serviços de navegação em sua carteira de operações. A principal novidade é a inclusão do terminal na rota do serviço NEOSAMBA, operado pela dinamarquesa Maersk, que liga Santa Catarina aos principais portos do Norte da Europa. Além disso, a cabotagem ganhará reforço com o serviço ALCT1, da Aliança Navegação e Logística, que conectará Itapoá a Manaus, capital do Amazonas.
Com a adição do NEOSAMBA, o Porto Itapoá passa a integrar um circuito que abrange Southampton (Reino Unido), Rotterdam (Holanda), Hamburgo (Alemanha), Bremerhaven (Alemanha), Antuérpia (Bélgica), Tânger (Marrocos), Santos (Brasil), Paranaguá (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Itapoá (Brasil). Essa rota reforça a conectividade do terminal com o mercado europeu, que já conta com outros dois serviços ligando o Brasil ao Mediterrâneo: o Bossa Nova/Sirius 1, da Maersk e CMA CGM, e o WMED/MSE, da MSC e Hapag-Lloyd.
O CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, destacou a importância estratégica da localização do terminal, situado próximo a importantes polos industriais e consumidores das regiões Sul e Sudeste, como Joinville, Curitiba e São Paulo. Segundo ele, Santa Catarina possui uma base industrial fortemente conectada ao mercado europeu, e o porto está preparado para atender essa demanda com eficiência logística e serviços marítimos robustos.
A participação europeia na movimentação do terminal é expressiva. Em 2025, as importações oriundas da União Europeia representaram cerca de 19% de toda a carga importada movimentada pelo Porto Itapoá, equivalente a aproximadamente 285 mil TEUs (unidade de medida padrão para contêineres). Desse volume, 76% dos alimentos e bebidas importados tiveram origem no bloco europeu, que também respondeu por 27% das importações de produtos químicos e 13% de maquinário.
No que diz respeito às exportações, a União Europeia foi responsável por cerca de 12% do total embarcado pelo terminal em 2025, somando aproximadamente 180 mil TEUs. Os principais segmentos incluem produtos florestais, como madeira e celulose, que representaram 19% das exportações para a Europa, além de eletrodomésticos e eletroeletrônicos (22%) e maquinário e siderurgia (14%).
O Porto Itapoá conta com uma infraestrutura moderna para atender à crescente demanda. Atualmente, o terminal dispõe de oito gates operando 24 horas por dia, dois berços de atracação que totalizam 800 metros de comprimento por 43 metros de largura, e uma profundidade natural de 16 metros, permitindo a atracação simultânea de dois navios Super Post Panamax. O pátio possui aproximadamente 455 mil metros quadrados, com mais de 8 mil m² de armazenagem seca e câmara fria para carga refrigerada, além de mais de duas mil tomadas reefers para manter a temperatura de cargas perecíveis.
O terminal também se destaca pela tecnologia empregada na segurança e eficiência. O scanner de cargas conteinerizadas é um dos mais modernos da América Latina, garantindo agilidade na verificação de mercadorias sem comprometer a segurança.
No segmento de cabotagem, o Porto Itapoá registrou crescimento acelerado nos últimos anos. Em 2025, movimentou cerca de 298 mil TEUs nessa modalidade, volume 32% superior ao ano anterior, consolidando-se como líder em cabotagem entre os portos da região Sul do Brasil. A cabotagem oferece vantagens logísticas, como a redução de até 30% nos custos de frete em rotas estratégicas, devido à economia de escala proporcionada pelo transporte marítimo. Um único navio pode transportar o equivalente a 200 ou 300 caminhões em uma única viagem, diluindo custos operacionais como combustível e manutenção.
O novo serviço ALCT1, da Aliança Navegação e Logística, terá início previsto para junho de 2025, com duas escalas semanais em Itapoá. A rota ligará o terminal catarinense a Manaus em aproximadamente 13 dias de trânsito marítimo, ampliando a capacidade logística para cargas industriais, eletroeletrônicas, bens de consumo e produtos refrigerados entre as regiões Sul e Norte do Brasil. Além disso, o Porto Itapoá continua operando o serviço BRACO, da Mercosul Line e CMA CGM, que também conecta Manaus e diversos portos da costa brasileira.
Para Arten, a cabotagem vem ganhando espaço por combinar capacidade de movimentação, previsibilidade operacional e competitividade logística. O crescimento registrado no Porto Itapoá reflete a busca do mercado por soluções mais eficientes para o transporte de cargas no Brasil.
Paralelamente, as obras de dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina, atingiram 70,3% de execução em maio de 2025. A intervenção, iniciada em outubro de 2024 e com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, permitirá a entrada de navios gigantes no Complexo Portuário de Itapoá e São Francisco do Sul. A draga Galileo Galilei já retirou 5,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do fundo do mar, representando 70% do total previsto.
Com o aprofundamento do canal, os portos da região poderão receber embarcações de até 366 metros de comprimento, ante o limite atual de 336 metros. A capacidade de carga também aumentará: os navios que atracam na região transportam atualmente até 10 mil TEUs, mas após a conclusão da obra poderão chegar a 16 mil TEUs. Essa melhoria na infraestrutura portuária é fundamental para acompanhar o crescimento do comércio exterior e a demanda por serviços de navegação mais eficientes.
Fonte: NSC Total






















