Após oito semanas consecutivas de queda — a pior sequência da história do Ibovespa — o mercado brasileiro finalmente encontrou algum alívio. O principal índice da bolsa acumulou alta de aproximadamente 1,25% na semana, interrompendo um movimento de forte realização que levou o mercado a recuar mais de 15% desde as máximas registradas em abril.

Apesar da recuperação, o ambiente continua marcado por incertezas. No cenário internacional, os investidores acompanharam a evolução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos sobre os preços das commodities e da inflação global. Nos Estados Unidos, os mercados seguem atentos aos próximos passos do Federal Reserve, diante de uma economia que continua resiliente e de uma inflação que ainda inspira cautela.

No Brasil, o destaque da semana foi a divulgação da inflação de maio. O IPCA voltou a acelerar e atingiu 4,72% em 12 meses, superando o teto da meta perseguida pelo Banco Central. O dado reforçou a percepção de que o processo de queda dos juros poderá ser mais lento do que o mercado imaginava há alguns meses.

O dólar apresentou volatilidade ao longo da semana, refletindo tanto os riscos externos quanto as expectativas para a política monetária brasileira e norte-americana. Já os juros futuros permaneceram pressionados, demonstrando que o mercado continua exigindo prêmio elevado para os ativos domésticos.
Análise do Assessor

Embora o momento ainda exija cautela, a forte correção observada nas últimas semanas fez com que diversas ações passassem a negociar com descontos relevantes em relação aos seus fundamentos. Historicamente, períodos de elevada volatilidade costumam criar oportunidades para investidores que mantêm disciplina e visão de longo prazo.
Não significa que os riscos desapareceram. Pelo contrário. Ainda teremos pela frente decisões importantes de política monetária, evolução do cenário fiscal e as incertezas do ambiente internacional. Porém, para investidores com horizonte mais longo, o atual momento pode representar uma oportunidade interessante para iniciar posições ou aumentar gradualmente a exposição em ativos de qualidade.
Como sempre, o segredo não está em tentar acertar o fundo do mercado, mas sim em construir patrimônio de forma consistente, aproveitando as oportunidades que surgem quando o pessimismo domina o noticiário.
CURTAS
🌎Mundo
* IPO Histórico da SpaceX: A empresa estreou na Nasdaq com o maior IPO da história de Wall Street. Levantou US$ 75 bilhões com ações precificadas a US$ 135, avaliando a companhia em US$ 1,77 trilhão. Elon Musk mantém 82,4% do poder de voto.
* Juros Altos nos EUA: A inflação ao consumidor (CPI) americana subiu 0,5% em maio. No acumulado de 12 meses chegou a 4,2% (maior patamar em 3 anos), impulsionada pela energia. O dado reforça que o Fed deve manter os juros elevados por mais tempo.
₿ Cryto & Tecnologia
* MetaMask para IA: Lançada uma carteira de autocustódia voltada exclusivamente para agentes de Inteligência Artificial operarem de forma autônoma em DeFi.
* Tether e Robótica: A Tether liderou um aporte bilionário de US$ 1,4 bilhão na Neura Robotics, focada em robôs humanoides com IA.
* ETF de Bitcoin: A BlackRock protocolou o formulário 8-A para o seu ETF de renda ligado ao Bitcoin, indicando uma possível estreia na Nasdaq já para esta semana.
Charles Cancillier Bratti – (48) 99803-7783
Assessor de Investimentos
Especialista em Renda Variável e Mercado de Opções
























