ENTRE NÓSO desafio da despedida: Entenda o transtorno de ansiedade de separação – Parte I

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A cena é comum: uma criança chora e se agarra à perna dos pais na porta da escola. Embora a ansiedade de separação seja uma etapa normal e esperada do desenvolvimento infantil — especialmente entre os 8 meses e os 3 anos de idade —, ela pode cruzar a linha do saudável e se tornar uma psicopatologia grave. O Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) é caracterizado por um medo persistente, intenso e inadequado para o nível de desenvolvimento do indivíduo, relacionado ao afastamento de figuras de apego ou do lar.

Diferente do que muitos pensam, esse transtorno não atinge apenas crianças pequenas. Ele pode persistir ou até começar na vida adulta, gerando impactos significativos na rotina social, acadêmica e profissional.

 

O TAS EM NÚMEROS: ESTATÍSTICAS QUE IMPRESSIONAM

O transtorno é um dos problemas de saúde mental mais frequentes na juventude. Confira os principais dados apontados pelas fontes:

  • Prevalência Infantil: Afeta entre 3% e 5% das crianças e adolescentes.
  • Ranking: É o transtorno de ansiedade mais comum na população pediátrica.
  • Adultos: Estima-se que afete entre 1% e 2% dos adultos (embora alguns estudos sugiram até 6%).
  • Pico de Início: Ocorre geralmente entre os 7 e 9 anos de idade.
  • Genética: A herdabilidade é significativa, estimada em cerca de 73% em estudos com gêmeos.
  • Persistência: Aproximadamente 1/3 dos casos infantis não tratados persistem na vida adulta.

QUANDO A ANSIEDADE VIRA UM PROBLEMA?

Para ser diagnosticado como transtorno, os sintomas devem durar pelo menos quatro semanas em crianças e adolescentes, ou seis meses em adultos, causando sofrimento ou prejuízo funcional significativo.

 

Sinais Físicos e Comportamentais: Os indivíduos com TAS costumam apresentar queixas somáticas reais, como dores de cabeça, dores abdominais, náuseas e vômitos, que aparecem geralmente no momento da separação ou na antecipação dela (como nos domingos à noite antes da escola).

No comportamento, observa-se a recusa escolar, relutância em dormir sozinho, pesadelos recorrentes com temas de separação e uma preocupação excessiva de que algo terrível aconteça com os pais, como sequestros ou acidentes.

CAUSAS E FATORES DE RISCO

O TAS é multifatorial, envolvendo uma interação complexa entre biologia e ambiente:

  1. Fatores Biológicos: Alterações na amígdala (área do cérebro ligada ao medo) e predisposição genética.
  2. Temperamento: Crianças com “inibição comportamental” (tímidas e introvertidas) têm maior risco.
  3. Ambiente Familiar: Pais superprotetores, discórdia parental severa ou estilos de apego inseguro podem favorecer o quadro.
  4. Eventos Estressantes: A morte de um ente querido, divórcio dos pais ou mudança de escola são gatilhos comuns.

HÁ TRATAMENTO?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada o tratamento padrão-ouro, com taxas de remissão de até 69% em alguns programas. A TCC ajuda a criança a identificar pensamentos distorcidos e a enfrentar gradualmente as situações temidas através da técnica de “Exposição e Prevenção de Resposta”.

Em casos graves ou quando a terapia não apresenta resposta completa, o uso de medicamentos, especialmente os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), pode ser indicado sob supervisão médica.

 

Dica para os Pais: Manter a calma e validar os sentimentos da criança é essencial. Criar rotinas de despedida curtas e consistentes ajuda a reduzir a ansiedade e a construir a confiança de que o retorno sempre acontecerá

Juliana da Rosa Mengue | CRP 12/4706

WhatsApp: (48) 998350620 | Instagram: juliana.darosamengue

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