Epagri desenvolve cultivar de cebola híbrido com bom potencial produtivo e pouco suscetível a doenças

Daniel Alves explica as vantagens da sementes híbridas no Dia de Campo para os produtores – Fotos: Divulgação/Epagri

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Desenvolver um cultivar de cebola com boa produtividade e resistente à doenças, que apresente uniformidade de bulbos e um melhor desempenho agronômico, adaptado às condições climáticas e geológicas do Alto Vale do Itajaí, que é bastante úmida, é o desafio das pesquisas realizada na Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEITU). A tarefa se torna ainda mais complexa quando o objetivo é desenvolver cultivares de cebola híbridos – que têm um potencial produtivo superior – e exige um trabalho minucioso de seleção e purificação de plantas.

Daniel Alves explica as vantagens da sementes híbridas no Dia de Campo para os produtores – Fotos: Divulgação/Epagri

A pesquisa de melhoramento genético em cebola para desenvolvimento de cultivares híbridos é conduzida desde 2014 na EEITU pelo engenheiro-agrônomo Daniel Pedrosa Alves, que avalia para o ano que vem, dar início ao processo de registro no Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Este ano faremos o terceiro e último teste no campo com os híbridos selecionados, que começamos a plantar em 2021. Os resultados até o momento foram bastante satisfatórios, alguns apresentam bom potencial produtivo e são pouco suscetíveis à doenças. Nosso maior problema aqui são as doenças foliares, por causa da elevada umidade. Os cultivares híbridos existentes não são adaptadas ao nosso clima, e sim a clima seco”, revela.

O pesquisador explica que a EEITU já lançou 10 cultivares de cebola desde a fundação, em 1984, no sistema de polinização aberta (OP), mas será a primeira vez que a unidade lançará um cultivar do tipo híbrido, que tem algumas vantagens. “Cultivares híbridos apresentam plantas mais uniformes e homogêneas, o que permite alcançar elevados padrões produtivos, além de proporcionar maturação mais uniforme da lavoura”, revela.

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Entre outros benefícios, os híbridos também podem apresentar melhor padrão comercial dos bulbos, maior vigor inicial e regularidade no desenvolvimento das plantas. Essas características contribuem para sistemas de produção mais eficientes, produtivos e com maior retorno econômico ao agricultor.

Pesquisa começou a ser desenhada há 16 anos

Daniel conta que entre 2014 e 2019 foi necessário estruturar a unidade para viabilizar o desenvolvimento de híbridos de cebola. Foi preciso ampliar a estrutura de abrigos protegidos (estufas), onde anualmente são instaladas gaiolas utilizadas na produção de sementes de cebola com auxílio de insetos polinizadores. Além da infraestrutura física, também foi preciso reforçar o corpo técnico, organizar e aprimorar a estrutura laboratorial destinada à análise do DNA das plantas.

Em condições ideais, são necessárias oito gerações de autofecundação até obter plantas genitoras geneticamente puras, o que levaria 16 anos de trabalho. Por isso, a meta do pesquisador é alcançar níveis de pureza de 93,75%. “Atualmente, já contamos com mais de 400 genitores, capazes de gerar mais de 70 mil combinações híbridas”, pontua.

Mas, como testar milhares de combinações híbridas em campo é inviável, os pesquisadores utilizam estratégias de melhoramento genético para selecionar genitores com maior potencial. O programa de desenvolvimento de cultivares híbridos avança em duas frentes: a obtenção de plantas puras e a geração de híbridos experimentais. A estratégia é desenvolver cerca de 10 híbridos por ano. “Dessa forma, o trabalho de purificação e formação de novos genitores segue continuamente, enquanto híbridos promissores já podem ser avaliados em campo”, explica.

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Nos híbridos produzidos na EEITU são analisadas características de interesse agronômico, como formato, cor e tamanho dos bulbos, produtividade e suscetibilidade à doenças. Para fortalecer essa etapa, foi firmada uma parceria com a Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI), onde são realizadas as análises moleculares, que permitem identificar a genética necessária para o desenvolvimento dos híbridos. Em Ituporanga são realizados os trabalhos de campo e a produção de sementes.

Apenas 5% do cultivo de cebola no Estado utiliza sementes híbridas

“Também temos projetos em parceria com três empresas do setor privado, onde são desenvolvidos dezenas de novos híbridos anualmente. A expectativa é que, em um futuro próximo, possamos lançar um cultivar híbrido superior a qualquer cultivar de polinização aberta atualmente em uso”, afirma.

Segundo o pesquisador, os cultivares híbridos são utilizados nas principais regiões produtoras de cebola de alto rendimento no mundo. Mas, em Santa Catarina, só 5% da área cultivada utiliza sementes híbridas. Isso ocorre porque muitas destas sementes não se adaptaram tão bem às condições ambientais do Estado. “O propósito da pesquisa é mudar esse cenário, elevando o nível tecnológico da cultura e a produtividade”, conclui.

Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407 / 99161-6596

Fonte: Governo SC

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