SEGURANÇABrasil atinge menor taxa de homicídios em 2024, mas subnotificação preocupa

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A taxa de homicídios no Brasil caiu para 20,1 por 100 mil habitantes em 2024, o menor índice da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. O estudo, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta redução de 7,4% na taxa em relação a 2023, com 42.590 homicídios no ano passado, uma queda de 6,9% no número absoluto.

Apesar do resultado positivo, o coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, destacou que a piora na qualidade dos dados em 2024 surpreendeu os pesquisadores. As Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) cresceram 23,8%, chegando a 17.207 casos. Desses, 7.083 foram classificados como homicídios ocultos, ou seja, crimes não identificados oficialmente como assassinatos. “O modelo acha, probabilisticamente, padrões de letalidade, olhando as características das vítimas e das situações”, explicou Cerqueira.

A subnotificação é atribuída, entre outros fatores, à falta de compartilhamento de informações entre os sistemas de saúde e segurança pública. Em 2024, os homicídios ocultos representaram 14,3% do total de homicídios estimados, contra 7,6% em 2023. No acumulado de 2014 a 2024, o Brasil registrou cerca de 55 mil homicídios ocultos, com média anual de 5.019 casos.

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As desigualdades regionais persistem: enquanto estados como São Paulo (6,6 por 100 mil), Santa Catarina (8,1) e Distrito Federal (10,3) apresentam as menores taxas oficiais, Amapá (45,7), Bahia (40,9) e Pernambuco (37,3) lideram o ranking de violência. Dos 20 municípios mais violentos com mais de 100 mil habitantes, 17 estão no Nordeste. Já as 20 cidades menos violentas concentram-se no Sul e Sudeste.

Para Cerqueira, o Brasil passa por uma transição: ao mesmo tempo em que reduz homicídios, enfrenta aumento da insegurança e manutenção de desigualdades que afetam populações minoritárias. “Esperávamos que houvesse menos mortes violentas por causa indeterminada, mas o número aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”, lamentou o pesquisador.

Fonte: Agência Brasil

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