Amorim rejeita intervenção dos EUA após classificação de PCC e CV como terroristas

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O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, classificou como inaceitável qualquer pretexto para intervenção estrangeira no Brasil, ao comentar a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas globais. A declaração foi feita à GloboNews nesta quinta-feira (28).

Amorim afirmou que a cooperação internacional no combate ao crime organizado é positiva, especialmente em áreas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. No entanto, ele ressaltou que ações unilaterais que possam abrir margem para intervenção não serão toleradas pelo Brasil.

A declaração ocorre após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciar a designação das duas facções criminosas como “terroristas globais especialmente designados”. A medida pegou o governo brasileiro de surpresa, já que não houve comunicação prévia por parte de Washington.

Antes mesmo do anúncio oficial, Amorim já havia manifestado preocupação com a equiparação do crime organizado ao terrorismo. Em evento internacional, ele disse que essa abordagem não contribui para o combate efetivo às organizações criminosas e que é essencial compreender as motivações por trás dos delitos.

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O assessor presidencial reforçou que o Brasil continuará investindo em segurança pública e bem-estar social, mas não pode ignorar o cenário de unilateralismo crescente na arena global. Para ele, o respeito às regras internacionais é fundamental para evitar abusos.

O governo brasileiro vinha atuando nos bastidores para impedir a classificação, argumentando que ela poderia autorizar os EUA a realizar operações militares em território nacional. A preocupação era de que a medida abrisse precedentes perigosos para a soberania brasileira.

A classificação estava em debate desde maio de 2025, quando David Gamble, chefe interino do Departamento de Sanções dos EUA, fez uma solicitação nesse sentido. Na ocasião, o pedido foi negado pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo.

Sarrubbo sustentou que as facções brasileiras não se enquadram na definição de terrorismo prevista na Constituição. A Lei Antiterrorismo brasileira exige motivação ideológica, política ou religiosa para caracterizar um ato como terrorismo, o que não se aplica ao PCC e ao CV.

Em nota oficial, o Departamento de Estado dos EUA justificou a medida como necessária para proteger a nação americana e seus interesses de segurança nacional. O texto menciona que as organizações criminosas brasileiras estão entre as mais violentas do país, com milhares de integrantes.

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A nota também cita ataques brutais contra policiais, autoridades e civis, além da expansão das redes ilícitas para outros países, incluindo os Estados Unidos. O governo Trump afirmou que continuará usando todas as ferramentas disponíveis para combater o narcoterrorismo.

A designação como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) foi acompanhada da intenção de classificar os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de junho de 2026. A medida foi baseada na Lei de Imigração e Nacionalidade e na Ordem Executiva 13224.

Para o governo brasileiro, a decisão americana representa um retrocesso na cooperação bilateral, pois cria um ambiente de desconfiança e pode prejudicar ações conjuntas no combate ao crime organizado. O Itamaraty avalia os próximos passos diplomáticos.

Especialistas em relações internacionais alertam que a classificação pode complicar a atuação de forças de segurança brasileiras em operações conjuntas, além de gerar constrangimentos diplomáticos. A expectativa é de que o Brasil busque diálogo com os EUA para reverter ou mitigar os efeitos da medida.

Fonte: NSC Total

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