O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais. A classificação foi anunciada nesta quinta-feira (28).
Em sua manifestação pública, Tarcísio cumprimentou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela mediação com as autoridades norte-americanas. Para o governador, os grupos criminosos não devem ser chamados de facções, mas sim de terroristas que atuam contra a população brasileira.
A medida dos Estados Unidos ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro relatar que solicitou pessoalmente ao presidente Donald Trump o reconhecimento das organizações brasileiras como terroristas, durante reunião na Casa Branca.
Nas redes sociais, Tarcísio também mencionou a atuação internacional do PCC e do CV. Ele afirmou que quem controla territórios, impõe toque de recolher, assassina inocentes e desafia o Estado está praticando terror.
O ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP), também se pronunciou sobre o tema. Para ele, a decisão americana simplesmente reconhece o que milhões de brasileiros já vivenciam no dia a dia.
A inclusão oficial do PCC e do CV na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) está marcada para 5 de junho. Segundo o governo norte-americano, essas facções figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e suas redes afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos.
A lista americana já inclui cartéis mexicanos, gangues da América Central e organizações venezuelanas envolvidas com tráfico internacional de drogas, armas, pessoas e lavagem de dinheiro.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) emitiu nota criticando a politização do tema. A entidade lamentou que a classificação tenha sido capturada pela disputa eleitoral, o que, segundo o FBSP, traz implicações profundas para a soberania e autonomia do Brasil.
Na nota, o FBSP argumenta que o apoio explícito de muitos políticos à medida revela visões simplistas e distantes das tarefas reais que o poder público precisa executar para retomar territórios e regular mercados explorados pelo crime organizado, como fintechs, bets e criptoativos.
A organização também destacou que Brasil e Estados Unidos possuem uma longa tradição de cooperação policial e atuação coordenada, especialmente no combate à lavagem de dinheiro e na troca de informações de inteligência, o que deve continuar.
O FBSP considera a decisão norte-americana soberana, mas alerta para os riscos de saídas unilaterais de outras nações em relação a uma economia do porte da brasileira. A nota conclui que o problema do crime organizado é complexo e não será resolvido apenas com classificações externas.
Fonte: Metrópoles




















