PREOCUPAÇÃOFBSP critica EUA por classificar PCC e CV como terroristas: ‘capturado pela disputa eleitoral’

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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) manifestou nesta quinta-feira seu descontentamento com a medida do governo dos Estados Unidos que incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. Em nota oficial, a entidade reconheceu a soberania da decisão americana, mas criticou o modo como ela foi conduzida.

Para o FBSP, a classificação das facções como terroristas envolve questões profundas relacionadas à soberania nacional, ao impacto econômico, ao sistema financeiro e aos acordos de cooperação regional e global. A instituição afirmou que o assunto foi apropriado pelo debate eleitoral norte-americano, o que considera lamentável.

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, avaliou que o único beneficiado com a medida é o governo dos Estados Unidos. Ela destacou que ações semelhantes já foram adotadas em relação à Venezuela, como a interceptação de embarcações e operações em território alheio, que podem desrespeitar o direito internacional.

Segundo a especialista, a classificação pode prejudicar a parceria entre as autoridades brasileiras e americanas, sem trazer soluções efetivas para os problemas internos do Brasil. Ela observou que as facções continuarão atuando no país independentemente da decisão.

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O FBSP, contudo, ressaltou que os dois países têm um histórico consolidado de colaboração policial. A troca de informações de inteligência no combate à lavagem de dinheiro é um exemplo desse trabalho conjunto, que deve permanecer ativo.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas, com efeito a partir de 5 de junho de 2026. As siglas foram enquadradas como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou a informação em sua conta no X (antigo Twitter). Ele declarou que o governo Trump continuará empregando todos os recursos disponíveis para proteger o país e seus interesses, especialmente no combate ao narcotráfico e ao fluxo financeiro que sustenta os narcoterroristas.

A designação como Terroristas Globais Especialmente Designados se baseia na Ordem Executiva 13.244, de 23 de setembro de 2001, criada pelo ex-presidente George W. Bush após os atentados de 11 de setembro. A classificação é realizada em conjunto pelos Departamentos de Estado e do Tesouro.

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De acordo com a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), grupos que cometem ou representam risco de cometer atos terroristas podem ser assim classificados. Também podem ser enquadrados indivíduos ou organizações que prestem apoio a essas atividades.

Já a classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras segue a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade de 1965. O Departamento de Estado, por meio do Escritório de Contraterrorismo e Combate ao Extremismo Violento, é responsável pelo monitoramento.

Para um grupo ser considerado FTO, ele precisa ser estrangeiro, estar envolvido em atividades terroristas conforme a lei americana e representar ameaça à segurança nacional ou aos cidadãos dos Estados Unidos. O PCC e o CV se enquadram nesses critérios segundo a avaliação do governo norte-americano.

Fonte: Jovem Pan

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