DEMOGRAFIAIBGE alerta: idosos superam jovens e pressionam sistema de aposentadoria

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Pela primeira vez na história do Brasil, o número de cidadãos com mais de 60 anos superou o contingente de jovens entre 15 e 24 anos. A virada demográfica, revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acende um alerta sobre o futuro da aposentadoria e do sistema previdenciário no país.

A nova configuração etária ocorre em meio a uma queda acentuada da taxa de natalidade. Dados do IBGE indicam que a taxa de fecundidade brasileira recuou para 1,57 filho por mulher, patamar inferior ao necessário para a reposição populacional, que é de 2,1 filhos.

Esse movimento é resultado de transformações sociais como urbanização crescente, maior inserção feminina no mercado de trabalho, acesso ampliado a métodos contraceptivos e elevação do custo de vida nas áreas metropolitanas. Com menos nascimentos, a base da pirâmide etária se retrai.

Ao mesmo tempo, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou. O Censo mais recente mostra que a população com 65 anos ou mais saltou de 14 milhões para mais de 22 milhões em pouco mais de uma década. Estimativas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua apontam que o país já conta com aproximadamente 34 milhões de idosos.

O envelhecimento é mais acentuado nas regiões Sul e Sudeste. Santa Catarina lidera o ranking proporcional de idosos no Brasil, seguida pelo Rio Grande do Sul. Já a região Norte mantém perfil mais jovem, com os menores índices registrados em Roraima e no Acre.

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Paralelamente à transformação etária, o mercado de trabalho brasileiro continua marcado pela informalidade. Cerca de 39 milhões de trabalhadores atuam sem carteira assinada ou sem contribuição regular ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme dados oficiais.

A ausência de contribuições contínuas impacta diretamente o financiamento da Previdência Social. O déficit previdenciário já supera R$ 320 bilhões, pressionado pela redução proporcional de contribuintes formais diante do aumento de aposentados.

Entre os idosos, a participação no mercado de trabalho também cresce. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, 24,4% das pessoas acima de 60 anos permanecem economicamente ativas, o maior índice da série histórica.

Grande parte desse grupo continua trabalhando por necessidade de complementação de renda. Muitos atuam em atividades informais, como prestação de serviços autônomos ou em plataformas de transporte e entrega por aplicativo, impulsionados pelo aumento do custo de vida e pela insuficiência dos benefícios previdenciários.

A reforma da Previdência de 2019 endureceu as regras de acesso à aposentadoria, com idade mínima maior e exigências ampliadas de contribuição. Isso tornou a saída definitiva do mercado de trabalho mais distante para uma parcela significativa dos brasileiros.

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Projeções demográficas do governo indicam que a pressão sobre o sistema previdenciário tende a se intensificar nas próximas décadas. Estudos apontam que a população brasileira pode começar a encolher em termos absolutos a partir da década de 2040, enquanto a proporção de idosos continuará crescendo.

Estimativas sugerem que pessoas com mais de 60 anos representarão mais de um terço da população brasileira até 2070. Esse avanço reduzirá a relação entre trabalhadores ativos e beneficiários da Previdência, ampliando os desafios fiscais e econômicos para o financiamento do sistema público de aposentadorias.

O cenário alerta para a necessidade de adaptações no mercado de trabalho e nas políticas públicas. A combinação de envelhecimento populacional, queda da natalidade e alta informalidade exige medidas para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário no longo prazo.

Especialistas destacam que, sem reformas adicionais ou estímulos à formalização, o déficit previdenciário deve continuar crescendo. A pressão sobre as contas públicas tende a se agravar, especialmente com o aumento da expectativa de vida e a redução da base de contribuintes.

Fonte: NSC Total

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