OPERAÇÃONunes nega irregularidades em contrato com ONG de produtora de filme sobre Bolsonaro

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), negou nesta segunda-feira (1º) qualquer irregularidade no contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental presidida por Karina Ferreira da Gama. A empresária é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro.

A declaração ocorreu após a Polícia Civil deflagrar a Operação Wi-Fi, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Karina, à ONG e à produtora, além da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. As investigações apontam suspeitas de desvio de verba pública, fraude em licitação e falhas na execução contratual.

Em coletiva de imprensa, Nunes afirmou que a administração municipal dará total suporte às investigações, mas ressaltou que, até o momento, não foram encontradas provas de atos ilícitos. Ele mencionou ter solicitado duas vezes, na última semana, uma revisão completa do processo, e que sua equipe confirmou a regularidade da contratação.

O prefeito explicou que o programa WiFi Livre SP foi criado para incluir digitalmente a população de baixa renda, e que a seleção do ICB ocorreu por meio de chamamento público, aprovado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Ele contestou informações da polícia sobre o número de pontos de internet, afirmando que o contrato prevê 3.200 pontos, e não 5 mil.

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Outro ponto de divergência é o valor cobrado por ponto. A polícia aponta que o ICB recebeu R$ 1.800 por instalação, enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia, cobraria R$ 230. Segundo Nunes, a Prodam teria um custo maior, de aproximadamente R$ 2 mil por ponto, inviabilizando o atendimento em áreas periféricas. Ele afirmou que atualmente o município paga R$ 1.280 por ponto, valor abaixo do estimado para a estatal.

O prefeito negou direcionamento na licitação, destacando que o edital ficou aberto por 30 dias e apenas o ICB apresentou proposta. Ele sugeriu que a investigação pode ter motivação política, já que Karina é produtora de um filme sobre Bolsonaro. Indagou por que a questão só veio à tona agora, se o contrato foi assinado em junho de 2024, enquanto a filmagem foi comunicada à SPCine em outubro de 2025.

Nunes defendeu que não há impedimento legal para que a empresária atue simultaneamente como produtora de cinema e gestora de uma ONG contratada pelo poder público. Ele classificou como grave qualquer tentativa de vincular a investigação a questões partidárias, afirmando que a democracia deve ser respeitada.

Documentos obtidos pela reportagem revelam que a Polícia Civil solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios detalhados sobre as movimentações financeiras de Karina e suas empresas. O pedido ainda aguarda decisão judicial.

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No requerimento de quebra de sigilo bancário, o delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, da 2ª Delegacia da Divisão de Crimes contra a Administração, aponta indícios de ‘confusão patrimonial’ e possível desvio de recursos do programa para a produção do filme, por meio de subcontratações.

O ICB, que não possui expertise em telecomunicações, subcontratou serviços de várias empresas, totalizando R$ 98 milhões. Entre os valores, destacam-se R$ 36 milhões para a Make One, R$ 30 milhões para a UltraIP e cerca de R$ 12 milhões para a Complexys e Fast Future, pertencentes a um casal ligado a Karina.

O custo da produção de ‘Dark Horse’ chamou a atenção por superar o de filmes nacionais indicados ao Oscar, como ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’.

O delegado também questiona a capacidade técnica da ONG para executar o serviço de telecomunicações, além da disparidade de preços em relação à Prodam, que cobra R$ 230 por instalação e R$ 306 pela manutenção mensal, contra os R$ 1.800 cobrados pelo ICB.

Nunes, no entanto, manteve a defesa do contrato e classificou as acusações como infundadas. Ele reiterou que a prefeitura continuará colaborando com as autoridades e aguarda o esclarecimento dos fatos.

Fonte: O GLOBO

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