POLÍTICAMéxico acusa setores dos EUA de interferência política

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou setores do governo dos Estados Unidos de promoverem campanhas midiáticas e de desinformação com o objetivo de interferir nos assuntos internos do país. A declaração foi feita durante um discurso que marcou os dois anos de seu mandato.

Sheinbaum sugeriu que essas ações visam influenciar as eleições de 2027, quando serão renovadas a Câmara dos Deputados e os governos estaduais mexicanos. A presidente enfatizou que a luta contra o crime organizado é uma responsabilidade compartilhada, mas não pode servir de pretexto para violar princípios do direito internacional.

Ela destacou que a não intervenção e o respeito à autodeterminação dos povos são fundamentais. A declaração ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter cogitado ataques ao México sob justificativa de combater cartéis de drogas. Em março, o secretário de Estado Marco Rubio também ameaçou agir unilateralmente na América Latina.

Em coletiva de imprensa, Sheinbaum afirmou não acreditar que Trump esteja pessoalmente envolvido, mas sim setores da Casa Branca em parceria com grupos conservadores mexicanos. Ela mencionou que mantém diálogo direto com Trump e que ambos costumam chegar a acordos.

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A presidente citou o incidente em que dois agentes da CIA morreram em um acidente de carro no estado de Chihuahua, sem autorização para estar no México. Ela afirmou que nenhum agente estrangeiro pode exercer funções exclusivas das autoridades mexicanas.

Sheinbaum também criticou o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar dez mexicanos, incluindo um governador, um prefeito e um senador, sem apresentar provas. Ela classificou o episódio como inédito na relação bilateral.

A chefe de Estado questionou se há real interesse de Washington em ajudar o México ou se setores da extrema direita americana estão usando o país para se posicionar nas eleições de 2026 e influenciar as de 2027 no México.

Ela defendeu que é legítimo questionar os interesses dos EUA na extradição de autoridades eleitas, afirmando que não se trata mais de cooperação, mas de interferência. Sheinbaum ressaltou o compromisso do governo com o combate à corrupção e ao narcotráfico, citando a queda de 49% nos homicídios dolosos em 20 meses.

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No entanto, ela declarou que não pode permitir que o Departamento de Justiça dos EUA peça extradições sem provas. A presidente concluiu que cooperação não significa subordinação e que a história do México mostra que a liberdade é mantida quando interesses estrangeiros não decidem o destino do país.

Sheinbaum reiterou que o México continuará lutando contra o crime organizado, mas dentro dos limites da soberania e do direito internacional. Ela afirmou que o governo está aberto à colaboração, desde que respeite as leis mexicanas.

A presidente também destacou a importância de manter relações bilaterais baseadas no respeito mútuo. Ela disse esperar que as divergências com os EUA sejam resolvidas por meio do diálogo, sem comprometer a independência do México.

Fonte: ContilNet Notícias

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