Uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi presa em flagrante em Goiânia após ser descoberta vivendo sob uma identidade falsa, apresentando-se como uma adolescente de 12 anos. O caso veio à tona em agosto de 2024, quando um conselheiro tutelar foi acionado por uma policial militar que relatou que uma suposta adolescente precisava de ajuda, alegando ter sido vítima de abuso e exploração sexual no Rio Grande do Sul.
O conselheiro orientou os militares a levarem a vítima ao Hospital da Mulher, no Setor Coimbra, em Goiânia. Na unidade, a mulher se identificou como “Gabriele”, mas durante o atendimento mudou a versão, afirmando que seu verdadeiro nome era outro, o qual foi preservado por se tratar de uma criança real.
Ao pesquisarem o novo nome, a equipe hospitalar descobriu que a identificação pertencia a uma criança de 11 anos. A suspeita foi então encaminhada ao Hospital da Criança e do Adolescente para atendimento especializado.
O conselheiro tutelar, considerando o relato de abuso sexual em Porto Alegre, entrou em contato com o Conselho Tutelar do Rio Grande do Sul, enviando a foto da suposta vítima. A resposta veio em forma de uma reportagem que mostrava a fotografia da mesma pessoa, revelando que se tratava de Amanda, conhecida por crimes de falsidade ideológica e estelionato no estado gaúcho.
Diante da descoberta, o conselheiro questionou a real identidade da mulher, que permaneceu em silêncio. A polícia foi acionada e efetuou a prisão em flagrante.
Amanda já havia sido denunciada pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) por falsidade ideológica, sendo condenada a um ano de reclusão. O histórico de golpes semelhantes se estende por outros estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul, além de Goiás.
O caso mais recente ocorreu em Santa Catarina, onde ela também se passou por uma adolescente de 12 anos. Presa em flagrante em Joinville, Amanda responderá por estelionato e falsa identidade. Lá, ela usava o nome fictício “Gabriele”, o mesmo informado em Goiás.
Em Santa Catarina, a suspeita foi acolhida informalmente por uma família da cidade, com quem morou por cerca de 14 meses. Para justificar sua aparência física incompatível com a idade, ela alegava ter transtorno do espectro autista e outras condições de saúde.
De acordo com a Polícia Civil catarinense, Amanda adotava comportamentos infantis para reforçar a farsa, como o uso de mamadeiras, chupetas e um objeto chamado “cheirinho” para dormir. Um detalhe que chamou a atenção foi o pânico que ela demonstrava quando os pais adotivos sugeriam matriculá-la em uma escola, recusando todas as ofertas.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, informou que a suspeita negava ser adotada oficialmente, alegando não querer que o “pai biológico” soubesse. A família adotiva chegou a custear um tratamento para obesidade com o medicamento Mounjaro e a presenteou com uma festa de aniversário quando ela “completou” 12 anos.
Na audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, a defesa de Amanda solicitou uma avaliação psiquiátrica, enquanto o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) requereu a prisão preventiva. A Justiça acatou o pedido do MPSC e decretou a prisão preventiva, determinando o encaminhamento da suspeita ao Presídio Feminino de Joinville.
O advogado Rafael Luiz Siewert, que representa a mulher, afirmou que a defesa identificou elementos que justificam o exame de sanidade mental. O pedido foi acolhido pelo juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliar sua condição psíquica. A defesa aguarda a conclusão da perícia, que poderá esclarecer as circunstâncias do caso e orientar as medidas processuais cabíveis.
Fonte: Metrópoles




















