CULTURAExposição fotográfica revela sutilezas da tradição das gueixas em Kyoto

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A fotógrafa Annete Owatari, descendente de japoneses, inaugurou na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) a exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi” no início de junho. A mostra integra as comemorações dos 118 anos da imigração japonesa no Brasil e pode ser visitada até o dia 19 no Espaço Cruz e Sousa, localizado no Palácio Barriga Verde.

Além das fotografias, o espaço exibe peças de cerâmica, leques e outros artesanatos típicos da província de Aomori, considerada “irmã” de Santa Catarina. Em discurso representando a Nipocultura — entidade fundada em 2008 para promover a cultura japonesa no estado —, Yoshihico Kaneoya afirmou que a exposição captura o espírito nipônico, caracterizado pelo “mínimo de materialidade, máximo de expressividade”.

O deputado Pepê Collaço (PP), responsável por viabilizar a mostra, destacou a importância da “policultura que faz de Santa Catarina o melhor estado brasileiro” e elogiou a “lindíssima exposição, que bem representa a cultura que o Japão trouxe para o nosso País”. Já o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), ressaltou o papel dos descendentes japoneses, “que traduzem o espírito de um povo guerreiro e contribuitivo”, e enalteceu a “integração social, cultural e comunicativa” entre a comunidade nipônica e os catarinenses.

A seleção de imagens de Annete Owatari propõe uma visão poética e sensível sobre Gion, em Kyoto, um dos mais importantes redutos de gueixas no Japão. Hanamachi significa, em tradução literal, “cidade das flores”. Kyoto é o local onde as gueixas atuam como artistas e guardiãs da cultura tradicional japonesa, especializando-se em dança, música, cerimônia do chá e conversação. Elas trabalham nos cinco distritos históricos da cidade, sendo Gion o mais famoso.

“Este recorte da exposição original reflete um olhar brasileiro”, explica a fotógrafa, que capturou imagens de gueixas e de suas aprendizes, as geikos, entre 2009 e 2011. Ela visitou o Japão várias vezes e, nos últimos quatro anos, tem se dedicado ao que chama de “trabalho autoral”. As fotografias partem de uma observação íntima e contemplativa, menos focada na representação exótica e mais na presença humana e sensível dessas mulheres e de seus ambientes.

Para obter algumas das imagens, a autora montou vigília em frente às casas de gueixas, registrando-as com sua câmera — inclusive dentro de um táxi — quando saíam para eventos sociais onde trabalham. Distanciando-se dos estereótipos frequentemente ligados a essas figuras, as fotos buscam revelar sutilezas silenciosas: gestos delicados, movimentos, texturas, tecidos e pequenos detalhes que compõem uma atmosfera singular.

A exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi” já foi apresentada no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, no Museu da Escola Catarinense (ambos em Florianópolis) e no Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville.

O artesanato e outras peças artísticas provenientes de Aomori refletem a parceria entre a província japonesa e Santa Catarina. Aomori é conhecida por suas tradições e paisagens, além de ser mundialmente famosa pela produção de maçãs. Foi de lá que imigrantes japoneses trouxeram para Santa Catarina, na década de 1960, as primeiras mudas de macieiras Fuji.

Fonte: Assembleia SC

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