A Polícia Federal abriu investigação para apurar possível interferência do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), em um inquérito que apurava suspeitas de caixa 2 e compra de votos na eleição municipal de 2024 em Lauro Müller, no sul do estado. A suspeita foi levantada em ofício encaminhado à PF pelo delegado regional de Criciúma, Antônio Márcio Campos Neves, que apontou suposta pressão política para a remoção do delegado responsável pelo caso.
De acordo com o documento, o delegado Flávio Lima e Silva Júnior, que conduzia a investigação, teria sido retirado do cargo após interferência do prefeito Valdir Fontanella (PP) junto ao governador. A troca teria ocorrido em um momento em que as apurações sobre movimentações financeiras suspeitas na campanha de Fontanella estavam em andamento. A PF confirmou que apura o caso.
O ofício também destaca que a delegacia de Lauro Müller ficou com estrutura reduzida, contando apenas com o novo titular, um escrivão e uma agente, o que prejudicaria a continuidade das investigações. O caso ganhou repercussão após a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento.
Em nota, o governo catarinense negou qualquer interferência política e afirmou que a mudança foi uma promoção por tempo de serviço. O governador Jorginho Mello, em vídeo nas redes sociais, disse que promoveu 144 delegados no estado e questionou: “Eu interferi em milhares de investigações?”. Ele defendeu que a promoção é um direito do servidor previsto em lei.
A investigação original partiu de denúncia ao Ministério Público Eleitoral, segundo a qual empresas ligadas ao prefeito teriam feito movimentações não declaradas para financiar a campanha. Cheques entre R$ 10 mil e R$ 60 mil eram sacados em espécie em uma casa lotérica. A prefeitura de Lauro Müller não comentou o caso.
Fonte: Diário do Centro do Mundo


























