A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informou ter investido aproximadamente R$ 75 milhões no projeto. A empresa assegura que a obra foi financiada exclusivamente com recursos privados, sem qualquer aporte de dinheiro público ou incentivos fiscais. A declaração consta em uma perícia particular anexada a um inquérito que investiga suspeitas de desvio de verbas municipais para a produção.
O documento foi protocolado pela defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora. De acordo com o laudo técnico, todo o montante aplicado veio de fontes particulares. A defesa também informou que estuda postergar o lançamento do longa-metragem para depois das eleições de 2026, devido ao desgaste político gerado pelas investigações e pela polêmica envolvendo o financiamento.
O caso está sob análise da Polícia Civil de São Paulo, que apura se houve desvio de recursos públicos oriundos de contratos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. A suspeita é que parte desses valores possa ter sido canalizada para a produção de ‘Dark Horse’. Em contrapartida, a perícia apresentada pela defesa afirma não ter encontrado evidências de uso de dinheiro público, renúncias fiscais, recursos da Lei Rouanet ou verbas municipais. O laudo, no entanto, ressalva que suas conclusões se baseiam exclusivamente nos documentos fornecidos para análise.
Segundo o relatório pericial, os gastos realizados em território nacional somaram cerca de R$ 20,9 milhões, enquanto as despesas nos Estados Unidos atingiram aproximadamente R$ 54,2 milhões. O custo total declarado é de US$ 13,4 milhões, equivalentes a cerca de R$ 75 milhões na cotação atual. A perícia aponta que os recursos foram aportados pelo fundo americano Havengate Development Fund LP, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente. Segundo a defesa, os aportes do fundo cobrem integralmente o valor investido na produção.
Apesar das discussões sobre a origem do dinheiro, o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, não é mencionado na perícia. Essa ausência chama a atenção porque o financiamento do filme passou a ser questionado após a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra repasses de Vorcaro para a produção. As investigações também analisam possíveis pagamentos feitos pelo banqueiro e se esses valores foram utilizados em despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Tanto Flávio quanto Eduardo negam qualquer irregularidade.
O advogado Ricardo Sayeg, que representa Karina, afirmou ter recomendado o adiamento da estreia. Ele argumenta que a medida visa evitar que o filme seja vinculado ao processo eleitoral. “Para que não pairem dúvidas sobre a natureza cultural e artística, minha recomendação é que o filme seja lançado depois das eleições”, declarou. Karina disse que a sugestão está sendo avaliada em conjunto com a equipe de produção nos Estados Unidos. A empresária já havia manifestado anteriormente a intenção de inscrever ‘Dark Horse’ na disputa do Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor e melhor ator.
Fonte: ND+























