Localizada na região metropolitana de Florianópolis, Biguaçu abriga atualmente cerca de 83 mil moradores. O que muitos desconhecem é que este município, situado a menos de 20 quilômetros do centro da capital catarinense, já exerceu o papel de sede administrativa do estado.
Com quase dois séculos de história, a cidade carrega o título de antiga capital de Santa Catarina, um marco que remonta ao período em que ainda era conhecida como freguesia de São Miguel. A designação como município ocorreu em 1833, mas a ocupação da região começou quase cem anos antes.
No século XVIII, imigrantes portugueses oriundos do Arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira se estabeleceram em São Miguel da Terra Firme, uma pequena localidade da época. Em 1751, foi inaugurada a igreja de São Miguel Arcanjo, o que elevou o povoado à condição de freguesia, com a nomeação de seu primeiro vigário.
O momento de maior destaque veio em 10 de outubro de 1777, quando a freguesia de São Miguel foi elevada à capital da capitania de Santa Catarina. A mudança ocorreu devido à invasão espanhola na Ilha de Santa Catarina, que forçou o governo a se refugiar no continente.
O posto de capital foi mantido até 2 de agosto de 1778, quando a sede retornou a Desterro, hoje Florianópolis. Apesar de breve, o período foi suficiente para marcar definitivamente a história do município.
Com o tempo, a freguesia de São Miguel perdeu importância devido a surtos de malária e ao desmembramento de novas freguesias. Foi na segunda metade do século XIX que um novo povoado começou a se desenvolver às margens do Rio Biguaçu, atraído pela fertilidade das terras.
Em 1886, lideranças políticas decidiram transferir a sede do município para Biguaçu, que então era uma vila. A mudança definitiva só ocorreu em 22 de abril de 1894, após muita resistência política.
Quanto à origem do nome, há duas hipóteses principais. A primeira sugere que vem do tupi, significando “Biguá Grande”, uma ave aquática encontrada no rio local. Já o padre Raulino Reitz, em seu livro “Alto Biguaçu”, defende que o nome deriva de uma árvore parecida com o jambolão, chamada popularmente de Baguaçu.
Hoje, Biguaçu preserva seu patrimônio histórico, como a Igreja de São Miguel Arcanjo, que integra o Museu Etnográfico Casa dos Açores, e as cachoeiras de São Amâncio, com águas limpas e ambiente preservado.
Fonte: NSC Total




















