Doar sangue tornou-se uma missão de vida para o militar Luís Cláudio Soares Rodrigues. Carioca de nascimento e catarinense de coração desde 1996, ele é um exemplo de solidariedade e compromisso com o próximo. Desde a primeira doação, realizada em 1989, já ultrapassou a marca de 200 doações, contribuindo para salvar centenas de vidas ao longo de quase quatro décadas. Histórias como a de Luís Cláudio reforçam a importância do Junho Vermelho, campanha nacional e estadual de conscientização sobre a doação de sangue, e da data de 14 de junho, que celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. O período foi escolhido justamente porque, durante os meses mais frios do ano, os estoques dos hemocentros costumam registrar queda significativa devido às baixas temperaturas e ao aumento das doenças respiratórias. A redução no número de doadores impacta diretamente o atendimento de pacientes submetidos a cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes e cuidados neonatais.
Em apoio à campanha, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) iluminou de vermelho a fachada do Palácio Barriga Verde, simbolizando o engajamento do Parlamento catarinense na mobilização pela doação de sangue. A iniciativa busca ampliar a conscientização da sociedade sobre a necessidade de manter os estoques em níveis seguros durante todo o ano. Além das campanhas institucionais, Santa Catarina conta com uma legislação abrangente voltada ao incentivo da doação voluntária e regular. Recentemente, o Parlamento aprovou iniciativas que reconhecem e valorizam os doadores. Entre elas está a Lei 19.250/2025, de autoria do deputado Napoleão Bernardes (PSD), que garante atendimento prioritário aos doadores regulares de sangue em estabelecimentos comerciais, eventos patrocinados pelo Estado e procedimentos realizados em órgãos públicos estaduais. Outra medida é a Lei 19.271/2025, de autoria do deputado Oscar Gutz (PL), que criou o programa Vida em Movimento. A iniciativa institui a coleta itinerante de sangue por meio de unidades móveis adaptadas para percorrer todas as regiões catarinenses, ampliando o acesso da população à doação e facilitando a participação de moradores de áreas mais distantes dos hemocentros. De acordo com a legislação, a coleta deverá ocorrer periodicamente em todas as regiões do estado, observando a demanda local e a disponibilidade de recursos. O programa também prevê campanhas permanentes de conscientização e divulgação, com informações sobre datas, horários e locais das coletas móveis. Relatórios semestrais deverão avaliar a efetividade das ações e apontar possíveis melhorias. Destaque ainda para a Lei 19.456/2025, de autoria do deputado Lunelli (MDB), que dispõe sobre a afixação de placas, cartazes ou faixas informativas nas recepções da Hemorrede sobre a doação de medula óssea em Santa Catarina.
O incentivo à doação de sangue também está presente em outras legislações estaduais mais antigas. A Lei 10.567/1997 assegura isenção da taxa de inscrição em concursos públicos estaduais para doadores regulares. Já a Lei 14.132/2007 garante o benefício da meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer promovidos em espaços mantidos pelo Estado. Os servidores públicos estaduais também contam com incentivo previsto na Lei 7.757/1989, que dispensa o registro de ponto no dia da doação voluntária de sangue. Mais recentemente, a Lei 18.104/2021 passou a exigir a divulgação de mensagens de incentivo à doação em competições esportivas, eventos culturais e clubes de futebol que recebem recursos públicos estaduais. Para a maioria dos benefícios previstos na legislação catarinense, é considerado doador regular o cidadão que comprovar pelo menos duas doações em instituições do Estado no período de 365 dias. Os cadastros e agendamentos são realizados pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc). Ao iluminar sua sede e apoiar iniciativas de conscientização, a Assembleia Legislativa reforça o compromisso com uma causa que salva vidas diariamente. Mais do que um gesto de solidariedade, doar sangue é um ato de cidadania capaz de transformar realidades e oferecer esperança a milhares de pessoas que dependem desse recurso para continuar vivendo.
Fonte: Assembleia SC


















