A Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência promoveu um seminário regional nesta terça-feira (16) em Joinville, com o propósito de trocar experiências e discutir medidas para ampliar a inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). O encontro ocorreu no auditório da Faculdade Censupeg e contou com a presença de políticos, gestores públicos e profissionais de diferentes áreas.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, do IBGE, Santa Catarina registra 91.588 pessoas diagnosticadas com autismo, o que representa 1,2% da população estadual. Desse total, 62,6% são do sexo masculino e 37,4% do feminino. A faixa etária com maior número de diagnósticos é a de 5 a 9 anos, seguindo a tendência nacional.
O deputado Fernando Krelling (MDB), proponente do evento, informou que, apenas na região Norte do estado, cerca de 4 mil crianças com suspeita de autismo aguardam diagnóstico, enquanto outras milhares esperam por terapias. Ele ressaltou a relevância de iniciativas como o seminário para qualificar profissionais e orientar famílias. “É essencial que o poder público realize ações como esta, mostrando à sociedade que a inclusão se efetiva com medidas concretas, como a capacitação contínua dos profissionais, sobretudo em uma área em constante transformação”, afirmou.
O neuropsicopedagogo Fabrício Cardoso ministrou uma das primeiras palestras, alertando que o desenvolvimento motor pode ser um dos primeiros indicadores do autismo, antes mesmo de déficits cognitivos. “Quando a criança não atinge certos marcos motores, como o desaparecimento do reflexo de Moro por volta dos 6 ou 7 meses, isso já deve gerar preocupação”, explicou. Ele também destacou a importância da atividade física no tratamento, citando benefícios neuroquímicos e comportamentais, como a redução de movimentos repetitivos.
A psiquiatra Maria Fontana abordou os benefícios do diagnóstico precoce. Ela mencionou que sinais iniciais, como atraso na fala e falta de contato visual, podem ser percebidos em casa. “O ideal é que o diagnóstico ocorra até os três anos de idade. Quanto mais cedo a criança receber estimulação adequada, melhores serão os resultados”, disse. Ela citou o M-CHAT, ferramenta de triagem para crianças de 16 a 30 meses, e defendeu a busca por avaliação especializada diante de qualquer alteração.
A advogada e professora Indyanara Baptista falou sobre a legislação para pessoas com autismo. Ela lembrou que, desde o Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2015, houve avanços em áreas como curatela, educação e mercado de trabalho. “O grande desafio agora é transformar esses direitos em políticas públicas efetivas, com regulamentação e implementação concretas”, afirmou.
Fonte: Assembleia SC


















