O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez duras críticas ao agora ex-primeiro-ministro britânico Keir Starmer nesta segunda-feira (22), horas após o anúncio de sua renúncia. Em declarações no Salão Oval, Trump afirmou que Starmer havia comprometido sua própria liderança ao adotar políticas energéticas e migratórias inadequadas.
Trump relembrou que já havia advertido Starmer sobre os riscos de restringir a exploração de petróleo no Mar do Norte enquanto expandia as fontes renováveis. Para o presidente americano, essa estratégia prejudicou a autonomia energética do Reino Unido, forçando o país a importar energia da Noruega, apesar de sua participação significativa nos recursos da região.
Além da questão energética, Trump apontou a imigração e o aumento da criminalidade como fatores que minaram a popularidade de Starmer. Ele classificou esses temas como vulnerabilidades políticas que o premiê não conseguiu administrar adequadamente.
O presidente americano também abordou a atuação de Starmer no cenário internacional, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio. Trump afirmou que o líder britânico “não era Churchill”, referindo-se ao apoio hesitante do Reino Unido à posição de Washington contra o Irã. Segundo Trump, essa postura enfraqueceu a influência global do país.
Trump sugeriu que as divergências sobre cooperação em defesa e a guerra no Oriente Médio aumentaram as tensões entre os dois aliados históricos. Ele defendeu que o Reino Unido deveria ter adotado uma postura mais firme ao lado dos EUA, tratando o momento como um teste para a unidade ocidental.
Apesar das críticas, Trump adotou um tom pessoal ao descrever Starmer como “um homem adorável” e “uma espécie de amigo”. No entanto, reiterou que as decisões políticas do premiê custaram caro a sua carreira.
A renúncia de Starmer foi anunciada na manhã desta segunda-feira, após crescente pressão interna dentro do Partido Trabalhista. A política energética e as preocupações econômicas estavam no centro das insatisfações de seus colegas de partido.
Com a saída de Starmer, um novo líder deve assumir o cargo até o retorno do Parlamento em setembro, abrindo caminho para uma nova fase política em meio à instabilidade. Menos de dois anos depois de uma vitória eleitoral esmagadora, Starmer reconheceu que seu partido desejava sua saída.
Em um discurso emocionado, Starmer anunciou que as indicações para seu substituto serão abertas em 9 de julho. O favorito para sucedê-lo é Andy Burnham, que venceu de forma expressiva as eleições para uma cadeira parlamentar no noroeste da Inglaterra na sexta-feira (19). Starmer agradeceu o apoio de colegas e homenageou sua esposa e filhos.
“A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições. Ouvi a resposta e a aceito de bom grado”, declarou Starmer. A pressão por sua renúncia aumentava há meses, e a vitória de Burnham intensificou os pedidos internos por sua saída.
Nos últimos meses, a relação entre EUA e Reino Unido se deteriorou. Starmer não apoiou entusiasticamente a guerra no Irã e demorou a autorizar o uso de bases britânicas pelos americanos, irritando Trump. Apesar de inicialmente ter dito que disputaria a liderança, Starmer mudou de ideia durante o fim de semana.
Quem assumir o cargo será o sétimo primeiro-ministro britânico desde o referendo do Brexit, que completa 10 anos esta semana. Esse recorde de rotatividade, o maior em quase dois séculos, reflete a dificuldade de manter o apoio de eleitores insatisfeitos com a falta de avanços em padrões de vida, serviços públicos e combate à imigração ilegal.
O grupo de consultoria Eurasia avaliou que o cenário ideal seria Starmer anunciar a renúncia em setembro, permitindo que ele participasse de uma cúpula com a União Europeia em julho e dando tempo a Burnham para se preparar para assumir o governo.
Fonte: CNN Brasil






















