Um navio com 22 mil toneladas de arroz catarinense partiu do Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com destino à América Central. A operação concretiza o contrato firmado em abril entre a Cooperja e a empresa Cemersa, com intermediação da Origrains.
O carregamento atenderá a demanda de El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e Honduras. A indústria orizícola vê na exportação uma oportunidade de regular o preço do produto, que sofre desvalorização no mercado interno devido ao excesso de oferta.
O acordo entre a Cooperja e a Cemersa foi intermediado pela Origrains. Segundo representante da empresa, as negociações para exportação de arroz brasileiro à América Central duravam oito anos.
A estratégia busca garantir sustentabilidade e maior segurança ao agricultor, reduzindo a dependência exclusiva do mercado interno. Novos embarques estão previstos, mas sem datas definidas.
O contrato prevê a exportação tanto de arroz em casca quanto de arroz beneficiado — grão processado industrialmente após a colheita. Essa prática agrega valor e amplia oportunidades na cadeia produtiva.
Em visita ao Brasil em abril de 2026, Omar Salazar Castro, representante da Cemersa, destacou que a qualidade do grão motivou a busca pelo arroz brasileiro. Ele elogiou a agroindústria do Sul catarinense pela produção com qualidade e sustentabilidade.
Salazar afirmou que a América Central necessita do arroz de qualidade produzido no Brasil, descrevendo o país como o motor agroindustrial da América Latina. A declaração foi dada à NDTV Record.
O presidente da Cooperja, Vanir Zanatta, comemorou a saída da primeira embarcação, mas ressaltou que o volume exportado ainda é insuficiente para regular o mercado interno. Ele defendeu a união de todos os atores da cadeia para o equilíbrio dos preços.
Zanatta afirmou que a cooperativa não desistirá de buscar rentabilidade para os produtores. A expectativa é que o contrato traga conforto ao setor.
Além da exportação, um leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comercializou 2,55 mil toneladas de arroz catarinense no início de junho. Apesar disso, o cenário ainda preocupa.
O aumento dos custos de produção, impulsionado pelo bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pressiona o setor. A previsão de um Super El Niño também assusta os produtores, especialmente se as chuvas intensas coincidirem com a floração da safra.
O presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, informou que a safra 2026/2027 deve ter redução na área plantada como medida de contenção. Isso pode elevar os preços devido à menor oferta do grão.
Fonte: ND+



















