O reality show ‘As Patroas’, criado pelos influenciadores digitais Viih Tube e Eliezer, foi removido da internet menos de 24 horas após sua estreia. A atração agora é alvo de um procedimento preparatório de investigação instaurado pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP).
O programa colocava 11 funcionários da residência do casal — entre babás, governanta, motorista e auxiliar geral — para disputar prêmios que somavam R$ 60 mil. A edição de estreia, exibida na última terça-feira (30), gerou forte rejeição do público e de especialistas, que consideraram as dinâmicas humilhantes e degradantes para os trabalhadores.
A deputada estadual Ediane Maria Nascimento (Psol-SP) protocolou uma representação contra o reality, o que motivou a abertura da apuração pelo MPT. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) também se manifestou publicamente, por meio de suas redes sociais, alertando que submeter empregados a situações vexatórias sob a justificativa de entretenimento pode configurar assédio moral. ‘No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever’, afirmou a corte.
O formato do reality previa que os empregados acumulassem pontos ao longo de semanas, com provas realizadas às terças e sábados. O vencedor da soma total ganharia R$ 20 mil fixos mais o valor acumulado nas tarefas. O segundo colocado ficaria apenas com o montante obtido nas dinâmicas, e o terceiro receberia uma motocicleta.
Nas edições de terça-feira, chamadas de ‘Desafio do CLT’, o vencedor do dia levava R$ 1 mil, 10 pontos e o título de ‘patroa da semana’. Esse título garantia regalias definidas pelo público, como diárias de massagem, jantares ou a permissão para entrar uma hora mais tarde no expediente.
Conforme anunciado pelos próprios influenciadores no início da gravação, a participação nas dinâmicas era condição obrigatória para quem quisesse concorrer aos prêmios. Funcionários que optassem por não gravar seriam automaticamente desclassificados do jogo.
A prova principal do primeiro episódio foi a que mais gerou indignação. Viih Tube e Eliezer espalharam moedas por diversos locais da propriedade, incluindo um lago artificial, a sala de estar, o interior de um vaso sanitário e dentro do lixo de um dos banheiros da residência.
As imagens exibidas mostraram o motorista da família, Anderson, retirando moedas de dentro do vaso sanitário e, em seguida, revirando o cesto de descarte de papéis higiênicos. ‘Misericórdia, né? Dentro do vaso? Pelo amor de Deus, não é possível (…) Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta’, declarou o trabalhador durante a gravação.
A vencedora da dinâmica foi Vilma, uma das babás da filha do casal, que garantiu os primeiros pontos e a bonificação em dinheiro. O formato não previa eliminações do emprego, apenas a competição pelos prêmios.
Antes de apagar os vídeos, Viih Tube explicou em suas redes sociais que a ideia foi sua e que Eliezer apoiou e contribuiu com palpites. ‘Acho que eles vão se divertir tanto. Vai atrapalhar o trabalho? Vai. Mas nem tudo é trabalho’, disse a influenciadora na ocasião.
O g1 procurou a assessoria e a defesa jurídica de Viih Tube e Eliezer para comentar a investigação e as críticas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: NSC Total























