O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como ‘pirataria’ a intenção do presidente norte-americano Donald Trump de assumir o controle do Estreito de Ormuz e exigir compensação financeira de cada embarcação petroleira que passar pelo local. A declaração foi feita nesta segunda-feira, durante uma visita a uma instituição de tecnologia.
Lula afirmou que Trump anunciou pelas redes sociais que vai desobstruir a passagem, mas impôs uma condição: cobrar 20% do valor do petróleo transportado de cada proprietário da carga. Para o petista, essa prática se enquadra na definição clássica de pirataria, algo que os Estados Unidos sempre combateram historicamente.
O presidente brasileiro associou o conflito no Oriente Médio ao aumento da inflação dos alimentos no Brasil. Segundo ele, a guerra eleva os custos dos combustíveis usados no transporte de mercadorias, pressionando os preços de itens como feijão, arroz, tomate e cebola.
Lula argumentou que o Estreito de Ormuz nunca esteve bloqueado e que a responsabilidade pela situação é dos próprios norte-americanos. Ele lembrou que o Brasil não participou do conflito com o Irã e que a guerra foi iniciada por Trump.
O presidente também questionou a justificativa americana para o conflito, de que o Irã desenvolvia armas nucleares. Lula disse ter visitado o país em 2010, quando foi assinado um compromisso iraniano de não buscar esse tipo de armamento. Ele comparou o caso à alegação de que o Iraque possuía armas químicas na época de Saddam Hussein, o que nunca foi comprovado.
Lula usou o cenário de guerra para defender a alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo, que impacta a Petrobras e outras empresas do setor. Para ele, essa taxa funciona como um ‘subsídio’ para evitar que a população brasileira sofra com insegurança alimentar por causa do conflito promovido por Trump.
As declarações foram dadas durante agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, onde Lula estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Alexandre Silveira, Guilherme Boulos e Luiz Marinho. O instituto realiza testes com etanol e biodiesel para desenvolver misturas menos poluentes.
O presidente ainda criticou a postura de quem se beneficia financeiramente de tragédias alheias. Ele afirmou que o Brasil não cobrará nada extra de quem quiser comprar seus produtos, apenas o preço justo.
Fonte: O GLOBO
























