A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (14) a Operação Sophia, com o objetivo de desmantelar um esquema criminoso que criava falsas campanhas de doação na internet. As ações se concentram em cinco estados: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
Coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Rio Grande do Sul, sob o comando do delegado João Vitor Herédia, a operação já resultou na prisão preventiva de dez suspeitos.
A investigação começou após a mãe de uma criança em tratamento contra câncer denunciar que fotos e vídeos de sua filha estavam sendo usados em anúncios pagos em redes sociais para solicitar doações fraudulentas.
A partir dessa queixa, os policiais iniciaram buscas para localizar os criadores e mantenedores da estrutura digital. A análise de dados permitiu mapear o fluxo financeiro e identificar vários envolvidos, cada um com funções específicas no esquema.
Somente na campanha fraudulenta que originou o inquérito, foi possível rastrear ao menos R$ 294,5 mil, passando por chaves Pix e plataformas de pagamento.
Além disso, as investigações revelaram movimentações financeiras muito mais expressivas em contas e empresas ligadas ao grupo. Uma delas, apontada como hub financeiro da organização, teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão durante o período sob análise.
De acordo com as autoridades, as fraudes consistiam em criar falsas campanhas de arrecadação, utilizando indevidamente imagens, vídeos e histórias reais de pessoas em situação frágil. As principais produções envolviam crianças com doenças graves.
O caso começou com a descoberta de um vídeo que pedia doações para uma criança com câncer, supostamente para custear o tratamento. A família da criança não autorizou e nunca recebeu os valores arrecadados.
As etapas do golpe incluíam impulsionar os conteúdos em redes sociais, por meio de páginas como Clube de Doadores, Doadores com Amor e Unidos pelo Amor, ampliando o alcance para milhares de pessoas.
Ao clicar nos anúncios, os usuários eram direcionados a sites falsos que imitavam plataformas legítimas. Na página, a vítima escolhia o valor da suposta doação e recebia um QR Code ou código Pix copia e cola.
O dinheiro, porém, ia para contas bancárias, empresas de fachada e gateways de pagamento controlados ou utilizados pelos criminosos. Para dificultar o rastreamento, o grupo empregava intermediadoras de pagamento, contas de terceiros, domínios registrados no exterior, proxies e mecanismos de camuflagem.
As apurações revelaram ainda o uso de ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz. Havia pessoas dedicadas à criação e hospedagem de sites falsos, registro de domínios, produção de vídeos fraudulentos e administração de contas em redes sociais.
Também foram encontrados indícios de que o grupo buscava novas vítimas em situação de vulnerabilidade, demonstrando continuidade e profissionalização da atividade criminosa.
Nesta manhã, as ordens judiciais estão sendo cumpridas em endereços residenciais e empresariais dos investigados. Ao todo, são 19 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão. O objetivo é recolher celulares, computadores, documentos, mídias digitais, cartões bancários, contratos sociais e outros elementos de prova.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul alerta a população para ter cautela ao fazer doações online. Recomenda-se verificar se a campanha é oficial, confirmar dados com a família ou instituição responsável, desconfiar de anúncios com forte apelo emocional e conferir se o destinatário do Pix corresponde ao beneficiário real.
Fonte: CNN Brasil

























