Investigações revelam que o Comando Vermelho (CV) passou a contar com uma espécie de diretor de governança corporativa para coordenar suas ações em nível nacional, função exercida dentro do sistema prisional. O responsável é Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai, que cumpre pena superior a 50 anos de reclusão.
Mesmo encarcerado na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, Samurai utilizava aparelhos celulares introduzidos clandestinamente em sua cela para intermediar disputas internas da organização criminosa.
O papel de Samurai como mediador ficou evidente em conversas obtidas pelo jornal O Globo, datadas do final de fevereiro de 2025. Na ocasião, um integrante de alto escalão do CV em Rondônia relatou a Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, um episódio de agressão sofrido por membros da facção, praticado por rivais do PCC dentro de uma penitenciária de Porto Velho.
“Os irmãos de Rondônia se encontram indignados com esses camaradas que não honram a palavra e querem uma solução”, escreveu o membro do CV no estado. Em resposta, Doca afirmou: “Temos que colocar o Samurai na linha para resolver logo essas paradas”. Dias depois, o interlocutor de Rondônia confirmou que a mediação havia ocorrido: “Samurai passou a visão aqui”.
De acordo com relatórios de investigação, essa atuação de Samurai evidencia a existência de um cargo informal dentro da estrutura do CV, denominado pelos investigadores como “diretor de governança corporativa de conflitos regionais”. A centralização do poder é resultado de uma reestruturação na forma como a facção se organiza.
A partir de 2016, após o rompimento com o PCC, o Comando Vermelho iniciou uma expansão pelo Brasil por meio de alianças com grupos criminosos locais, como a Família do Norte, no Amazonas. Inicialmente, esses grupos regionais mantinham autonomia e não se subordinavam diretamente à cúpula do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, o contato mais próximo entre criminosos de diferentes estados, muitos deles refugiados em favelas cariocas, foi o que permitiu essa centralização. As mensagens interceptadas também mostram Doca e Samurai discutindo quase diariamente os efeitos de uma trégua firmada entre CV e PCC no início de 2025, acordo que durou menos de três meses e foi rompido em abril, após conflitos em diversos estados.
Em novembro de 2024, após solicitações das polícias Civil, Militar e Federal, Samurai foi transferido do Complexo de Gericinó para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde permanece preso atualmente.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias
























