A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público estadual deflagraram na manhã desta quarta-feira (15) a Operação Hawala, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a facções criminosas. O montante movimentado chega a pelo menos R$ 100 milhões, provenientes do tráfico de drogas. Até o momento, dez pessoas foram presas.
De acordo com as autoridades, durante as investigações foi identificada uma possível ligação com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Essa conexão levantou alertas sobre a amplitude do esquema.
A Al-Qaeda é uma rede terrorista internacional fundada por Osama bin Laden no final dos anos 1980, notória pelos ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas em Nova York. O grupo tem como objetivo principal combater a influência ocidental em países muçulmanos e substituir governos por regimes fundamentalistas islâmicos.
A origem do nome ‘Al-Qaeda’ é controversa. Segundo o autor Jason Burke, a palavra em árabe pode significar base, lar ou alicerce. Ela já era usada na década de 1980 por radicais islâmicos que lutaram contra a invasão soviética no Afeganistão. O mentor espiritual de Bin Laden, Abdallah Azzam, empregava o termo para se referir ao papel dos voluntários estrangeiros que permaneceram após a guerra.
Em agosto de 1988, Bin Laden e um grupo de companheiros fundaram uma organização militante em Peshawar, no Paquistão. Em 1989, ele retornou à Arábia Saudita. Em 1990, ofereceu um exército de militantes para proteger o Iraque de Saddam Hussein, mas a oferta foi recusada. Em 1991, mudou-se para o Sudão, onde permaneceu até 1996, quando se fixou no Afeganistão.
Entre 1996 e 2001, a Al-Qaeda começou a operar de forma mais estruturada. No entanto, mesmo nesse período, não podia ser considerada uma organização coesa e centralizada, conforme destaca o autor Burton. A integração com o Talibã ocorreu após Bin Laden se aproximar do líder mulá Mohammed Omar, que lhe deu proteção no Afeganistão.
O Talibã, por sua vez, implementou uma teocracia puritana que se alinhava aos ideais da Al-Qaeda. Apesar de reconhecido por apenas três países (Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita), o regime talibã reinou de 1996 a 2001.
Em 11 de setembro de 2001, 19 membros da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões nos Estados Unidos, colidindo dois contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, um contra o Pentágono e outro caindo na Pensilvânia. O atentado foi o maior da história no país e levou os EUA a invadirem o Afeganistão para desmantelar a rede e depor o Talibã, que abrigava Bin Laden.
Após a invasão, as principais lideranças da Al-Qaeda fugiram para áreas tribais do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão. Analistas acreditam que o grupo continua treinando militantes nessas regiões e teria introduzido a prática de atentados suicidas com bombas entre o Talibã paquistanês e afegão.
Outros ataques atribuídos à Al-Qaeda incluem o atentado ao metrô de Madri em março de 2004 (191 mortos), os ataques ao transporte público de Londres em julho de 2005 e o assassinato da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto.
Osama bin Laden foi morto por forças especiais dos EUA em maio de 2011, no Paquistão. Desde então, a liderança do grupo passou por mudanças, mas a organização permanece ativa em várias regiões.
A estrutura descentralizada da Al-Qaeda dificulta estimar o número de membros. Os EUA calculam que haja centenas ou milhares de militantes em diversos países, com concentração de lideranças no Paquistão. Um relatório do Departamento de Estado americano de 2008 apontou que a rede incorporava membros de outros grupos no Oriente Médio, sul da Ásia, África, Europa e Ásia central, com planos de atacar os EUA e outras nações ocidentais.
A Operação Hawala agora busca aprofundar as conexões entre o esquema de lavagem de dinheiro e o financiamento da Al-Qaeda. As investigações continuam para determinar o alcance da atuação do grupo criminoso e sua possível colaboração com a rede terrorista.
Fonte: G1


























