Uma imagem publicada pelo site ICL mostra o senador Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, indivíduo apontado como integrante do núcleo de intimidação e violência de uma organização criminosa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A fotografia gerou controvérsia e levou o parlamentar a se pronunciar publicamente.
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro argumentou que, por ser uma figura pública, atende diariamente dezenas de pedidos de fotos e não teria como identificar cada pessoa que o aborda. Ele reiterou que nunca viu o homem que aparece na imagem e que não mantém qualquer relação com ele.
A assessoria do senador também questionou a origem da foto, levantando a hipótese de que ela poderia ter sido criada por inteligência artificial. A nota considerou irresponsável atribuir significado a uma imagem supostamente aleatória, destacando a falta de comprovação sobre sua procedência e veracidade.
Em vídeo divulgado, o senador não contestou diretamente a autenticidade da foto, mas mencionou que tira muitas fotografias com diferentes pessoas todos os dias. Ele não reconheceu o indivíduo retratado e voltou a questionar os critérios usados para associá-lo ao caso.
O portal ICL afirmou ter submetido a imagem a cinco ferramentas especializadas em detectar conteúdo gerado por inteligência artificial: Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer. Segundo a reportagem, nenhuma delas encontrou vestígios de manipulação por IA.
Uma análise complementar realizada com a ferramenta InVID também não identificou sinais de montagem. O veículo apontou que as sombras e reflexos de luz entre as duas pessoas na foto são consistentes, o que reforçaria a plausibilidade de a imagem ser genuína.
De acordo com a apuração, a fotografia teria sido tirada em 2022, em um hotel localizado na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A data e o local foram mencionados como parte do contexto da suposta interação entre o senador e o acusado.
O comentarista Paulo Figueiredo questionou a validade da análise, argumentando que a ausência do arquivo original com metadados impossibilita uma certificação definitiva da autenticidade da imagem. Para ele, sem esses dados, qualquer conclusão sobre a veracidade da foto é especulativa.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, foi preso preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal o apontava como coordenador operacional de um esquema suspeito de acessar indevidamente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol, além de corromper servidores do Banco Central.
A mesma operação resultou nas prisões de Daniel Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. O bloqueio judicial de bens determinado na ação chega a R$ 22 bilhões.
Mourão era considerado pela PF um dos operadores centrais de um grupo chamado “A Turma”, que teria como função monitorar e coletar informações sobre pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Mensagens apreendidas na investigação indicariam conversas entre os dois sobre a possibilidade de intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Em Minas Gerais, onde também era conhecido como “Mexerica”, Mourão respondia desde 2021 a um processo por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. Sua defesa contestava as acusações.
Mourão tentou tirar a própria vida ao ser preso, em março deste ano, e veio a falecer. O documentário “Raio X Banco Master”, produzido pela Brasil Paralelo e apresentado por Caio Coppola, investiga a teia criminosa em torno de Vorcaro e está disponível na plataforma de streaming do veículo.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias
























