O projeto do primeiro trem-bala brasileiro, que conectará São Paulo ao Rio de Janeiro por 417 quilômetros de ferrovia, teve sua previsão de início de operação revisada para 2033. O anúncio foi feito pelo diretor-executivo da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, que atribuiu o atraso à demora na definição dos termos de referência para o licenciamento ambiental pelo Ibama.
O cronograma original previa o começo das obras em 2028, mas, com o novo calendário, a construção deve ter início apenas no fim de 2028 ou ao longo de 2029. Figueiredo explicou que o Ibama estava sobrecarregado com demandas do PAC, o que postergou em cerca de 18 meses a finalização dos parâmetros necessários para o licenciamento.
Segundo o executivo, mesmo com o adiamento, não haverá aumento nos custos estimados do empreendimento. A TAV Brasil segue em busca de investidores estrangeiros da Europa e da China, que possuem tecnologia consolidada para trens de alta velocidade.
A autorização concedida permite planejar, construir e explorar a ferrovia por 99 anos, renováveis por mais 99. A tarifa estimada para o percurso completo entre São Paulo e Rio é de aproximadamente R$ 500, com valores menores para quem comprar com antecedência. Já as viagens para cidades intermediárias, como as do Vale do Paraíba e interior paulista, devem custar entre R$ 300 e R$ 350.
A estação em São Paulo será na região da Água Branca, enquanto a do Rio de Janeiro ficará na Central do Brasil, integrada ao metrô, trens urbanos e VLT. A expectativa é que o serviço concorra com a ponte aérea entre as duas capitais e também atraia usuários de ônibus e automóveis.
Figueiredo destacou que o processo de licenciamento ambiental segue em andamento e que a empresa aguarda a prorrogação do prazo para obter a licença prévia. Apesar dos contratempos, ele demonstrou confiança na continuidade do projeto.
A ligação ferroviária de alta velocidade é considerada estratégica para reduzir o tempo de deslocamento entre as duas principais cidades do país, atualmente de cerca de 6 horas de carro ou 1 hora de avião. O trem-bala promete percorrer o trajeto em aproximadamente 1h30.
O projeto já enfrentou diversos desafios ao longo dos anos, incluindo questões ambientais e de financiamento. A nova previsão de operação para 2033 representa mais um capítulo nessa trajetória, que tem como meta oferecer uma alternativa eficiente e sustentável de transporte.
Além dos investidores estrangeiros, a TAV Brasil também busca parcerias com o governo federal para viabilizar o empreendimento. A empresa acredita que, com o avanço do licenciamento e a captação de recursos, as obras poderão ser iniciadas dentro do novo cronograma.
O trem-bala brasileiro é um dos projetos mais ambiciosos de infraestrutura do país, e seu sucesso pode abrir portas para outras iniciativas similares no futuro. A expectativa é que, uma vez em operação, ele transforme a mobilidade entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Fonte: ND+


























