TURISMOCânions da Serra catarinense: guia completo com localização, como chegar e nível de dificuldade

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A região serrana de Santa Catarina abriga formações geológicas impressionantes que, embora menos conhecidas que os cânions gaúchos, oferecem paisagens de tirar o fôlego. Localizados entre os municípios de Bom Jardim da Serra e Urubici, esses desfiladeiros apresentam paredões que ultrapassam centenas de metros de altura e visuais que se estendem até o oceano.

O guia turístico Benito, que vive em Bom Jardim da Serra há uma década, destaca a variedade de atrativos. Segundo ele, o Canyon das Laranjeiras está entre os mais belos, mas há também o Canyon da Ronda e o Canyon do Funil, cada um com características únicas.

O Cânion das Laranjeiras, em Bom Jardim da Serra, é considerado o mais monumental. Com cerca de três quilômetros de extensão e paredões de até 600 metros, abriga três cachoeiras. Integra o Parque Nacional de São Joaquim, mas está sob responsabilidade de terrenos particulares. O Mirante dos Pinheirinhos, em sua borda, é um dos pontos mais fotografados da cidade.

Para chegar ao Cânion das Laranjeiras, utiliza-se a Estrada Geral de Santa Bárbara, próxima à Pousada Tafona, no centro. A visitação ocorre por dois lados: o Norte, pela Fazenda Rincão da Palha, a 12 km do centro por estrada não pavimentada, com percurso de 5 km a pé, a cavalo ou em veículo 4×4; e o Sul, pela Fazenda Santa Cândida, com trilha de 6 km de ida e volta de dificuldade moderada. O nível de dificuldade é fácil a moderado, a distância total é de 11 km, e o ingresso custa R$ 50 por pessoa. O agendamento pode ser feito pelo contato (48) 99989-6510.

O Cânion do Funil, também em Bom Jardim da Serra, é o mais dramático. Situado a 1.590 metros de altitude em seu ponto mais alto, estende-se por aproximadamente 2 km, com largura variando entre 500 e 1.000 metros. Suas formações pontiagudas e paredes de até 500 metros de profundidade criam um cenário impressionante.

O acesso ao Cânion do Funil se dá pela SC-390, junto à subestação da Celesc, a cerca de cinco quilômetros após o Mirante da Serra do Rio do Rastro, no sentido Lauro Müller. A propriedade é particular, e a entrada pode ser feita a pé, de carro 4×4 ou quadriciclo. A dificuldade é alta, com quase 15 km de percurso total. O valor é de R$ 80 por pessoa para autorização de trilha. No inverno, temperaturas negativas e neblina intensa são frequentes, exigindo planejamento e equipamento adequado.

O Cânion da Ronda, ainda em Bom Jardim da Serra, é o mais acessível, ideal para famílias e iniciantes. Seu nome remete à época dos tropeiros que pernoitavam na região e mantinham um vigia noturno para evitar a dispersão do gado. Fica logo após o Mirante Serra Parque, a apenas 300 metros, na SC-390. O local dispõe de infraestrutura para acampamento, cozinha, banheiros e eletricidade. A dificuldade é fácil, com distância de poucas centenas de metros. O mirante custa R$ 30 por pessoa, e o acesso ao Parque Eólico, também R$ 30. O parque eólico, com 62 torres, oferece uma surpresa agradável, e do mirante norte é possível observar os paredões rochosos entrecortados pela Serra do Rio do Rastro.

O Cânion Espraiado, em Urubici, é o mais selvagem e voltado para aventureiros. Localizado a 35 km do centro, na divisa com Grão Pará, próximo à Serra do Corvo Branco e ao Campo dos Padres, atinge 1.425 metros de altura, com paredões de 700 metros. Seu porte é comparável ao de outros grandes cânions brasileiros. O acesso exige preparo, com 23 km pela SC-439 e mais 12 km de estrada de terra, dos quais 9 km só transitáveis por 4×4, quadriciclo ou a pé. Após a recepção, aberta às 8h, são 500 metros até o início da borda. A dificuldade é alta, sendo obrigatório veículo 4×4. A trilha na borda tem 3,5 km de ida e volta, e são 9 km a pé da base. O ingresso custa R$ 35 online ou R$ 40 no local. O Balanço Infinito, em propriedade vizinha, atrai muitos visitantes; recomenda-se ir de manhã cedo para evitar a neblina que costuma encobrir a vista à tarde.

Antes de visitar qualquer cânion, é essencial reservar com antecedência, pois todos cobram taxa e alguns exigem agendamento. Calçados impermeáveis são recomendados devido ao terreno misto de campo aberto, pedras e áreas encharcadas. No inverno, temperaturas baixas e vento forte exigem casaco pesado. Carro com suspensão robusta é importante, especialmente no Espraiado, onde o 4×4 é obrigatório. Levar água e lanche é fundamental, já que as trilhas mais longas podem durar até seis horas.

Fonte: ND+

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