VAREJOLojas Quero-Quero fecha 14 unidades no RS e demite mais de 100 funcionários

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A rede varejista Lojas Quero-Quero, especializada em materiais de construção, eletrodomésticos e móveis, encerrou as atividades de 14 filiais no Rio Grande do Sul durante o primeiro trimestre de 2026. A informação foi confirmada por entidades sindicais que representam os trabalhadores do comércio, que também relataram a demissão de mais de uma centena de colaboradores.

O movimento ocorre em um contexto financeiro desafiador para a companhia, que divulgou um prejuízo líquido de R$ 61,7 milhões nos três primeiros meses do ano. Esse valor representa aproximadamente o dobro das perdas registradas no mesmo período de 2025. O resultado operacional também foi negativo, somando R$ 8,6 milhões no trimestre.

Em Santa Catarina, onde a rede mantém cerca de 84 lojas, houve uma redução de 3,4% no número de unidades em relação ao ano anterior, quando eram 87 estabelecimentos espalhados do Oeste ao litoral do estado. A empresa opera em cinco estados brasileiros: além do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também marca presença no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, totalizando 574 lojas.

No relatório de resultados, a diretoria da Lojas Quero-Quero apontou fatores macroeconômicos como principais responsáveis pelo desempenho negativo. A taxa básica de juros, mantida em patamares historicamente elevados, encarece o custo do capital e reduz a demanda por produtos, além de limitar a oferta de crédito aos consumidores.

Outro ponto destacado foi a desaceleração do mercado imobiliário, que impacta diretamente as vendas de materiais de construção. A perda do poder de compra das famílias também foi citada como um agravante, reduzindo o consumo de itens de maior valor agregado, como eletrodomésticos e móveis.

Apesar do fechamento de unidades, a empresa inaugurou duas novas lojas no mesmo período, sinalizando uma estratégia seletiva de expansão. A companhia informou que está implementando medidas internas para aumentar a eficiência operacional e controlar custos, com foco em disciplina financeira e ganhos de produtividade.

Fundada em 1967 na cidade de Santo Cristo, interior gaúcho, a Lojas Quero-Quero se aproxima dos 60 anos de atuação no mercado varejista. A rede se consolidou como uma das maiores do segmento de construção e reforma no Sul do país, atendendo tanto consumidores finais quanto pequenos construtores.

Em 2025, a empresa figurava entre as maiores varejistas do Brasil, competindo com gigantes do setor. A redução do número de lojas e a queda nos resultados financeiros refletem um cenário adverso para o comércio de materiais de construção, que enfrenta a combinação de juros altos, inflação pressionada e menor atividade imobiliária.

Os sindicatos dos comerciários acompanham de perto os desdobramentos das demissões e buscam garantir os direitos trabalhistas dos funcionários afetados. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre os cortes, mas reafirmou seu compromisso com a reestruturação e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

A Lojas Quero-Quero mantém sua sede no Rio Grande do Sul e possui uma forte presença no interior dos estados onde atua. A decisão de fechar unidades no estado de origem gerou surpresa entre analistas, que avaliam que a concorrência acirrada e a migração de consumidores para plataformas digitais podem ter contribuído para a retração.

No primeiro trimestre, a companhia registrou queda na receita líquida, embora os dados completos não tenham sido divulgados. Especialistas do setor apontam que a recuperação do mercado de construção civil depende de uma redução mais significativa dos juros e de estímulos ao crédito imobiliário.

A empresa também enfrenta desafios logísticos e operacionais, com margens apertadas e aumento dos custos de insumos. A estratégia de focar em eficiência pode incluir a renegociação de contratos com fornecedores e a otimização do mix de produtos.

As unidades fechadas no Rio Grande do Sul estavam distribuídas em diferentes regiões do estado, mas a empresa não detalhou quais cidades foram afetadas. As demissões ocorreram de forma gradual ao longo do trimestre, segundo os sindicatos.

A Lojas Quero-Quero é uma das principais empregadoras do comércio varejista em Santa Catarina, onde mantém unidades em cidades como Chapecó, Lages, Florianópolis e Joinville. A redução de lojas no estado indica uma reavaliação da presença regional.

O cenário de juros altos deve persistir nos próximos meses, segundo projeções do mercado financeiro, o que pode prolongar a dificuldade do setor. A empresa afirmou que continuará monitorando as condições econômicas para ajustar sua estratégia.

As inaugurações de novas lojas, por outro lado, mostram que a companhia ainda aposta em expansão pontual, possivelmente em locais com maior potencial de crescimento. As unidades abertas não tiveram suas localizações divulgadas.

A história da Lojas Quero-Quero é marcada por crescimento orgânico e aquisições, transformando-a em uma das maiores redes de material de construção do país. O atual momento de reestruturação é um dos mais desafiadores desde sua fundação.

O mercado de trabalho no comércio varejista catarinense sentirá o impacto das demissões, embora a empresa represente uma parcela pequena do total de empregos no setor. Os sindicatos negociam o pagamento de verbas rescisórias e a recolocação dos profissionais.

A empresa não comentou os motivos específicos para o fechamento das lojas gaúchas, mas o relatório financeiro sugere que a decisão faz parte de um plano de otimização da rede. A análise de desempenho por unidade deve ter apontado a inviabilidade de manter aquelas filiais.

Para o segundo trimestre, a expectativa é de que a empresa continue com a política de contenção de despesas, priorizando a rentabilidade em detrimento do número de lojas. A abertura de novos pontos comerciais será avaliada caso a caso.

A Lojas Quero-Quero também investe em canais digitais para tentar compensar a queda nas vendas físicas. A empresa possui plataforma de e-commerce e aplicativo, mas a participação das vendas online ainda é modesta.

O setor de material de construção como um todo registrou retração nas vendas no primeiro trimestre de 2026, reflexo da redução do ritmo de obras e da cautela dos consumidores. A recuperação deve ocorrer apenas com a melhora do cenário macroeconômico.

Analistas recomendam acompanhar os próximos balanços da empresa para avaliar se as medidas de eficiência surtirão efeito. A redução do prejuízo operacional será um indicador-chave.

Os funcionários demitidos receberão os direitos previstos em lei, e os sindicatos estão à disposição para mediar eventuais conflitos. A empresa se comprometeu a cumprir todas as obrigações trabalhistas.

A Lojas Quero-Quero encerrou o trimestre com dívida líquida elevada, mas a companhia afirmou que possui liquidez para honrar seus compromissos de curto prazo. A gestão de caixa é prioritária neste momento.

A rede varejista mantém ainda parcerias com fornecedores para oferecer condições especiais de pagamento, tentando estimular as vendas. Contudo, a demanda fraca limita o impacto dessas ações.

O presidente da empresa, em comunicado aos acionistas, reforçou o compromisso com a sustentabilidade do negócio e a geração de valor no longo prazo. As decisões difíceis tomadas agora visam preparar a companhia para um ciclo de crescimento futuro.

Com 59 anos de existência, a Lojas Quero-Quero busca se reinventar diante das mudanças no consumo e na economia. A trajetória de quase seis décadas demonstra resiliência, mas os desafios atuais são dos mais severos já enfrentados.

Fonte: NSC Total

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