INCERTEZASEstabilidade das previsões econômicas esconde riscos de longo prazo

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As projeções do mercado financeiro indicam certa calmaria momentânea, com leve recuo nas estimativas para o IPCA, mas o indicador médio de 5,15% neste ano ainda supera o limite superior da meta, de 4,5%. Esse cenário, no entanto, esconde um fenômeno mais preocupante: a desancoragem das expectativas de inflação para os próximos anos, que vêm sendo revisadas para cima.

Enquanto a inflação corrente pode desacelerar — dependendo de fatores como o conflito no Leste Europeu, os custos de transporte e os impactos do El Niño na agricultura, previsto para se intensificar em 2027 —, as projeções de longo prazo perdem a referência do centro da meta de 3%. O horizonte para convergência já foi adiado para o início de 2028, contrariando o objetivo do Banco Central com a manutenção de juros elevados.

A política monetária restritiva do BC deveria conter a atividade econômica e reduzir a margem para reajustes de preços, mas o governo mantém estímulos ao consumo, como linhas de crédito direcionadas mais baratas. O mercado de trabalho aquecido, com bons índices de emprego e renda, também sustenta a demanda, assim como programas de renegociação de dívidas, a exemplo do Desenrola 2.0.

Paralelamente, mesmo com o discurso de compromisso com a meta fiscal, a trajetória das contas públicas gera pressões inflacionárias adicionais, mantendo a curva de juros do mercado elevada. Os rendimentos da renda fixa devem ficar entre 7% e 8% ao ano acima da inflação, beneficiando investidores, mas encarecendo o crédito e elevando o custo da dívida pública, o que agrava o quadro fiscal.

Esse cenário de incertezas demanda cautela nas projeções, inclusive para o BC na definição da taxa básica de juros. A Selic deve permanecer em 14% ao longo do ano, com possibilidade de apenas um corte de 0,25 ponto percentual em agosto. A decisão dependerá da avaliação dos riscos, que vão além dos domésticos.

No plano externo, as tarifas comerciais dos Estados Unidos e os custos de produção — fertilizantes, frete e combustíveis, impactados pela guerra — pressionam os preços dos alimentos. Eventos climáticos extremos também ameaçam a safra agrícola, encarecendo itens básicos.

A proximidade das eleições adiciona mais uma camada de incerteza, podendo influenciar as decisões de política econômica e o comportamento dos agentes. Para o BC, o período exige parcimônia, mantendo os juros estáveis para conter expectativas sem sufocar a atividade.

Diante desse quadro, empreendedores e empresas precisam planejar com cautela, avaliando criteriosamente como cada variável pode afetar seus negócios. Não é possível ignorar os riscos econômicos e operar no curto prazo sem considerar os desdobramentos futuros.

Fonte: Jovem Pan

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