Os prefeitos das dez maiores cidades de Santa Catarina já definiram seus apoios na disputa pelo governo do estado nas eleições de 2026. Juntos, esses municípios concentram 2,2 milhões de eleitores, cerca de 40% do total de 5,7 milhões de votantes catarinenses, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, conta com o apoio de seis prefeitos. Já o pré-candidato João Rodrigues (PSD) tem três prefeitos ao seu lado. Apenas um gestor municipal ainda não declarou posição.
A influência dos prefeitos é considerada estratégica nas campanhas, pois eles atuam como cabos eleitorais e mobilizam vereadores, lideranças comunitárias e servidores municipais. O cientista social Josué de Souza, professor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), destaca que o apoio dos prefeitos fortalece as articulações no interior do estado.
— O prefeito é a pessoa da ponta, um apoio importante não só para o governo, mas para a Presidência também, porque ele tem contato direto com o eleitor — afirma Souza, que também ressalta que muitas alianças foram fechadas ainda em 2024, durante as eleições municipais.
Na maior cidade do estado, Joinville, a prefeita Rejane Gambin (Novo) apoia Jorginho Mello. O apoio foi consolidado quando o governador convidou o então prefeito Adriano Silva (Novo) para ser vice-governador, unindo PL e Novo na chapa.
Em Florianópolis, o prefeito Topázio Neto (Podemos) também está ao lado de Jorginho. A aproximação ocorreu no início da gestão estadual, e o rompimento com o PSD, partido de João Rodrigues, foi consequência desse alinhamento. Topázio assumiu o comando do Podemos no estado, sigla que integra a base do governador.
Blumenau, terceira maior cidade, tem o prefeito Egídio Ferrari (PL) como apoiador de Jorginho. Egídio foi eleito deputado estadual pelo PTB em 2022 e convidado pelo governador a migrar para o PL, recebendo apoio na campanha municipal de 2024.
No entanto, São José, na Grande Florianópolis, está com João Rodrigues. O prefeito Orvino Coelho Ávila (PSD) manteve a aliança com o partido, apesar de ter buscado apoio do governo estadual para sua gestão municipal.
Itajaí, sob o comando de Robison Coelho (PL), é base de Jorginho Mello. O prefeito foi secretário-adjunto de Portos e Aeroportos nos primeiros dois anos do governo, e seu vice também é filiado ao PL.
Em Chapecó, o prefeito Valmor Scolari (PSD) apoia João Rodrigues. Scolari era vice de Rodrigues até o prefeito deixar o cargo em março deste ano para concorrer ao governo.
Palhoça, governada pelo prefeito Eduardo Freccia (PL), também está com Jorginho. Freccia se filiou ao PL em 2023 e o ex-prefeito Camilo Martins também se juntou à legenda para buscar reeleição na Assembleia Legislativa.
Criciúma, reduto do PSD no Sul do estado, está com João Rodrigues. O prefeito Vaguinho Espíndola (PSD) derrotou um candidato apoiado por Jorginho em 2024 e mantém a lealdade ao partido.
Jaraguá do Sul é a única cidade com indefinição. O prefeito Jair Franzner (sem partido) deixou o MDB no início do ano e não declarou apoio. Ex-vice-prefeito do pré-candidato a senador Antídio Lunelli (MDB), que compõe a chapa de João Rodrigues, Franzner não respondeu aos contatos da reportagem.
Lages fecha o grupo das dez maiores com a prefeita Carmen Zanotto (Republicanos) apoiando Jorginho Mello. Carmen foi secretária de Saúde na primeira metade da gestão estadual e contou com o apoio do governador na campanha de 2024.
Os apoios consolidados mostram a força do PL e do PSD nas maiores cidades, mas a indefinição em Jaraguá do Sul e a possibilidade de novos movimentos podem alterar o cenário até o primeiro turno.
Fonte: NSC Total


























