INSPIRAÇÃOMãe baiana desenvolve absorvente dérmico para filho com gastrostomia

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A baiana Nilza Carla Leal, técnica de enfermagem e bióloga, desenvolveu um absorvente dérmico inovador para proteger pacientes que utilizam gastrostomia. O dispositivo, batizado de JO+, foi inspirado pelas necessidades do filho, João Pedro Leal, de 20 anos, que tem paralisia cerebral.

Durante as frequentes internações do filho, Nilza aproveitava o tempo livre para estudar, carregando livros e apostilas. Sem rede de apoio contínua, ela conciliava os cuidados com o jovem e sua própria capacitação profissional.

Atualmente, Nilza é pesquisadora, técnica de enfermagem, bióloga e cursa um mestrado. Essa trajetória começou após uma grande reviravolta em sua vida: ela precisou abandonar o emprego e o curso de administração em recursos humanos para se dedicar integralmente ao filho.

João Pedro nasceu com paralisia cerebral devido a uma demora no parto. Desde o início, apresentou dificuldades na amamentação e tremores intensos, sendo levado à UTI neonatal no mesmo dia do nascimento. O diagnóstico só veio cinco meses depois.

A condição do filho exigiu a realização de uma gastrostomia ainda na infância. O procedimento cria um canal entre o abdômen e o estômago para inserção de uma sonda alimentar, alternativa à sonda nasal para uso prolongado.

O local da incisão requer cuidados constantes, pois vazamentos de líquidos e o atrito da sonda podem causar ferimentos. Foi ao ser acusada de maus-tratos devido a essas lesões que Nilza decidiu buscar capacitação e, posteriormente, desenvolver uma solução.

Surgiu então o JO+, um dispositivo que protege a pele, absorve secreções e muda de cor conforme satura, indicando o momento ideal para troca. O objetivo é substituir gazes e adesivos, oferecendo mais higiene e qualidade de vida.

O desenvolvimento começou em 2016, com protótipos e testes de campo. Além de João Pedro, outras três pessoas já utilizaram o produto durante a fase de testes. A patente já foi oficializada.

O material escolhido foi o poliuretano, um polímero flexível importado da China por intermédio de um amigo brasileiro. Cada unidade do JO+ custa R$ 4,90 para produzir, e pacientes podem necessitar de até seis unidades por dia.

Atualmente, Nilza busca financiamento para iniciar a produção em larga escala e comercialização. Um dos principais obstáculos é que os editais de fomento exigem faturamento anual mínimo de R$ 100 mil, condição que ela não atende por ainda não vender o produto.

A pesquisadora planeja construir uma fábrica própria para produzir a matéria-prima, reduzindo custos. Enquanto isso, conta com o apoio de amigos para manter a patente e o CNPJ.

Além de Nilza, João Pedro recebe cuidados da irmã mais nova, Maria Júlia Leal, de 14 anos. A mãe se orgulha da filha, que se tornou uma apoiadora essencial.

“Eu me orgulho do desafio de ter um filho deficiente e dizer não a toda a sociedade, quando diziam que eu era louca por buscar os direitos dele”, afirmou Nilza. Ela também se orgulha de ter retomado os estudos e de sua trajetória acadêmica.

Apesar das dificuldades, a inventora mantém a esperança de ver o JO+ no mercado, beneficiando outros pacientes gastrostomizados. O nome do dispositivo é uma homenagem ao filho e a todos que podem ser ajudados.

Nilza Carla Leal é um exemplo de superação e inovação, transformando a adversidade em uma contribuição significativa para a saúde e o bem-estar de muitos.

Fonte: G1

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