A história da capacitação técnica para a indústria de revestimentos cerâmicos no Brasil passa por uma cidade de pouco mais de 15 mil habitantes no Sul de Santa Catarina. Foi em Cocal do Sul que surgiu, em 1979, a primeira escola de nível médio do país dedicada exclusivamente à formação de técnicos nesse segmento. A iniciativa partiu da Eliane Revestimentos Cerâmicos, que identificou a necessidade de mão de obra especializada diante do avanço tecnológico do setor na década de 1970.
Naquela época, a região Sul do estado já se consolidava como o principal polo ceramista nacional. As indústrias locais investiam em equipamentos modernos e processos produtivos mais eficientes, mas esbarravam na falta de profissionais qualificados para operar as novidades. Foi esse gargalo que levou a diretoria da Eliane a pensar em uma solução educacional estruturada.
O projeto ganhou forma com Edson Gaidzinski, filho do fundador da empresa, Maximiliano Gaidzinski. À frente do setor de planejamento da companhia, Edson idealizou a criação de uma escola que unisse o ensino médio tradicional a uma formação técnica especializada em cerâmica. A proposta era preparar os jovens para atuar diretamente nas fábricas, com conhecimento aprofundado sobre materiais, processos e controle de qualidade.
Assim nasceu o Colégio Maximiliano Gaidzinski, mais conhecido pela sigla CMG. A primeira turma começou as aulas em abril de 1979, com 56 alunos matriculados. O regime era de período integral, com os estudantes permanecendo na instituição das 8h às 17h. Para facilitar a participação, a empresa arcava com os custos de material escolar e refeições, eliminando barreiras financeiras para as famílias da região.
A proposta, embora inovadora, não foi recebida com entusiasmo imediato pela comunidade local. A ideia de uma escola mantida por uma empresa privada do ramo cerâmico causou estranheza entre os moradores. Para reverter o ceticismo, a Eliane promoveu uma campanha de divulgação, espalhando cartazes por toda a cidade e explicando os benefícios do projeto para o desenvolvimento local.
A seleção dos alunos seguia critérios claros: prioridade para os filhos de funcionários da cerâmica, seguidos pelos residentes de Cocal do Sul e, por fim, jovens carentes de comunidades vizinhas. Essa política buscava ao mesmo tempo atender às necessidades da empresa e contribuir para a inclusão social, oferecendo oportunidades de estudo e trabalho para quem mais precisava.
Com o passar dos anos, o colégio se consolidou como uma via de mão dupla. De um lado, a Eliane passou a contar com um contingente de profissionais formados sob medida para suas operações, o que impulsionou a produtividade e a inovação nas fábricas. De outro, os moradores de Cocal do Sul e arredores ganharam acesso a uma educação de qualidade, que abria portas para carreiras promissoras no setor cerâmico.
O impacto do CMG foi além dos muros da escola. A formação oferecida elevou o nível técnico da mão de obra regional, atraindo outras empresas e fortalecendo o polo cerâmico catarinense. Muitos dos primeiros formandos tornaram-se referência em suas áreas, ocupando cargos de liderança em indústrias de revestimento e em instituições de pesquisa.
Quase cinco décadas depois, a instituição segue em plena atividade. Atualmente, o CMG mantém o ensino médio regular e oferece especializações nas áreas de cerâmica e eletromecânica, sempre alinhadas às demandas do mercado. A infraestrutura moderna e o corpo docente qualificado continuam atraindo estudantes de toda a região Sul do estado.
Dados da própria escola indicam que 80% dos profissionais formados atuam no setor cerâmico. Eles estão presentes em indústrias de revestimentos, na transformação de matérias-primas, na representação comercial e em centros de pesquisa. Esse índice reflete a forte conexão entre o ensino oferecido e as oportunidades reais de trabalho no segmento.
A história do CMG é um exemplo notável de como a iniciativa privada pode contribuir para a educação profissional. Ao unir as necessidades da produção industrial com a formação de jovens, a Eliane não apenas resolveu um problema interno, mas também deixou um legado duradouro para toda a comunidade catarinense. O colégio permanece como uma referência nacional em ensino técnico especializado.
Especialistas apontam que modelos como o do CMG são essenciais para o desenvolvimento de setores que demandam alta qualificação. A proximidade entre o ambiente escolar e o chão de fábrica permite que os alunos aprendam na prática, com acesso a tecnologias e processos reais. Essa integração é um dos fatores que explicam o sucesso da escola ao longo de décadas.
Atualmente, o CMG também acompanha as transformações do setor, que passa pela digitalização e pela sustentabilidade. Os currículos são atualizados para incluir novas técnicas de produção, gestão ambiental e eficiência energética. Dessa forma, a instituição se mantém relevante em um mercado em constante evolução, formando profissionais prontos para os desafios do futuro.
O legado deixado por Edson Gaidzinski e pela Eliane vai além dos números. O colégio transformou Cocal do Sul em um polo de conhecimento técnico, elevou a autoestima da população e mostrou que investimento em educação é o caminho mais seguro para o desenvolvimento regional. A história, que começou com uma iniciativa empresarial, hoje é patrimônio de toda a comunidade.
Fonte: ND+


























