ISOLADOLula promove a marechal, postumamente, militar morto na Guerra do Paraguai

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Em uma medida publicada no Diário Oficial da União, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu, de forma póstuma, o oficial do Exército Antônio de Sampaio ao posto de marechal. O reconhecimento, que ocorre mais de 150 anos após sua morte, foi anunciado em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Paraguai.

O militar, que faleceu em 1866 durante a Guerra do Paraguai, foi um dos principais comandantes brasileiros no conflito. A homenagem acontece na esteira de uma crise diplomática iniciada após declarações de Lula sobre o início da guerra, que irritaram o governo paraguaio.

Na quarta-feira, o Congresso do Paraguai aprovou uma moção de repúdio às falas do presidente brasileiro. Durante um evento na fábrica da Avibras, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, relembrando o conflito histórico. A declaração foi feita na cerimônia de retomada das atividades da empresa aeroespacial.

No dia seguinte à assinatura do decreto, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para entregar uma nota oficial de repúdio. O documento, que inclui a manifestação do Legislativo paraguaio, também exige explicações sobre a fala presidencial e pede a devolução dos troféus de guerra levados pelo Exército brasileiro após o conflito.

Antônio de Sampaio, nascido no Ceará em 1810, ingressou na carreira militar em 1830, aos 20 anos. Ele participou de batalhas importantes do período imperial, como a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, e a Guerra contra Oribe e Rosas, entre 1851 e 1852, nos atuais territórios do Uruguai e da Argentina.

Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, recebeu a patente de general-brigadeiro, que hoje corresponde a general de brigada. Na época, assumiu o comando da recém-criada Divisão Encouraçada, uma unidade de elite do Exército brasileiro nas operações militares.

No ano seguinte, participou da Batalha de Tuiuti, considerada o confronto mais sangrento da história sul-americana. Durante o combate, foi atingido por estilhaços de granada três vezes, sofrendo ferimentos graves. Ele não resistiu e faleceu 43 dias depois, em um navio-hospital.

Em reconhecimento à sua trajetória, Sampaio é apontado como patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro. Agora, com a promoção póstuma, seu nome passa a constar na lista de marechais do país.

A crise com o Paraguai tem raízes em divergências históricas sobre a responsabilidade pelo início da guerra. O discurso de Lula reforça a visão tradicional brasileira, que atribui ao Paraguai a provocação do conflito. Os paraguaios, por outro lado, defendem que a guerra começou mais cedo, com a intervenção militar brasileira no Uruguai, em agosto de 1864.

O conflito, chamado de Guerra da Tríplice Aliança, é considerado o maior da América do Sul, tendo ocorrido entre 1864 e 1870. Estimativas indicam que cerca de 100 mil brasileiros morreram, enquanto o Paraguai perdeu aproximadamente 300 mil habitantes, incluindo grande parte da população masculina, em um impacto demográfico profundo.

Para a historiografia brasileira, a guerra começou com a captura do presidente da província de Mato Grosso pelas forças paraguaias em novembro de 1864. Já a interpretação paraguaia aponta que o Brasil teria dado o primeiro passo com sua intervenção no Uruguai, em agosto daquele ano, colocando em risco o equilíbrio regional.

Com a nova promoção, Lula reafirma a memória militar brasileira, enquanto o governo paraguaio manifesta seu descontentamento com a narrativa histórica adotada pelo Brasil. A devolução dos troféus de guerra é uma reivindicação constante do país vizinho, que busca reparação pelos danos do passado.

Fonte: O Sul

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