O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, designou um novo responsável pela política externa voltada ao Brasil e demais nações da América Latina. Juan Pablo Segura foi empossado como secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, posição de destaque no Departamento de Estado para as relações com a região.
A posse ocorreu em 14 de agosto. Indicado pela Casa Branca no mês de abril, Segura passou por sabatina no Senado em junho e obteve a confirmação para o posto.
A nomeação de Segura desperta interesse particular no Brasil devido a posicionamentos anteriores que tocam em temas sensíveis nas relações bilaterais, como as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o programa Mais Médicos, que trouxe milhares de profissionais cubanos ao país.
Em fevereiro de 2025, Segura comentou, em publicação nas redes sociais, a respeito das medidas de Moraes contra plataformas digitais americanas. Na ocasião, afirmou que “o respeito à soberania é uma via de mão dupla”, criticando implicitamente as sanções impostas a empresas dos EUA.
A crítica se referia a multas e restrições determinadas pelo STF a companhias estadunidenses por causa de conteúdos publicados por usuários em território americano.
Segura argumentou que “bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos Estados Unidos por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”.
Outro alvo de seus comentários foi a participação de médicos cubanos no Mais Médicos. Em abril de 2025, o escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental divulgou o depoimento de uma médica cubana que alegou receber apenas 25% do valor pago pelo Brasil, enquanto o restante teria sido repassado ao governo de Cuba.
A questão transcendeu o plano diplomático. O governo Trump adotou sanções contra brasileiros ligados à presença cubana no programa, no âmbito da política de responsabilização por suposta exploração de mão de obra médica pelo regime de Havana.
Segura não é um diplomata de carreira. Antes da atual função, atuou como secretário de Comércio e Negócios da Virgínia, no governo do republicano Glenn Youngkin, onde administrou 13 agências estaduais, cerca de 1.300 funcionários e orçamento de aproximadamente US$ 3 bilhões.
Empresário, Segura cofundou a Babyscripts, uma empresa de tecnologia focada em cuidados pré-natais. É contador público certificado, com formação em Contabilidade e Estudos do Leste Asiático pela Universidade de Notre Dame.
Ao assumir o posto, ele enfatizou sua lealdade ao presidente Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio. Disse que trabalhará para promover a visão do governo americano de um hemisfério livre de cartéis e narcoterroristas, próspero para os EUA e parceiros, além de garantir a segurança das fronteiras.
Segura substitui Michael Kozak, que estava no cargo interinamente havia mais de 18 meses.
A função que Segura ocupa é estratégia: o Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental define a política americana para a região, abrangendo questões diplomáticas, políticas, econômicas e de segurança com impacto direto no Brasil.
Sua gestão começa num cenário de tensões elevadas. Temas que antes eram tratados como internos passaram à agenda bilateral: decisões do STF afetando empresas americanas, liberdade de expressão em plataformas digitais, atuação de Moraes, relações com Cuba e a influência de governos adversários na região.
Segura já demonstrou atenção a casos brasileiros. Em abril, compartilhou comunicado do escritório sobre um funcionário brasileiro que, segundo os EUA, tentou usar o sistema de imigração para perseguir um compatriota em território americano.
Washington afirmou, na ocasião, que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração” para contornar mecanismos de extradição ou prolongar “caças às bruxas políticas” nos EUA.
A chegada de Segura ocorre em momento de maior sensibilidade nas relações bilaterais. Ele estará na linha de frente para responder a novos conflitos com Brasília, executando a agenda de Trump e Rubio: segurança, combate ao narcotráfico, fronteiras, interesses econômicos e enfrentamento a políticas consideradas contrárias aos interesses americanos.
Para o Brasil, a mudança no comando indica que temas delicados – como Moraes, Mais Médicos, Big Techs e Cuba – permanecerão no radar do Departamento de Estado.
Fonte: Jovem Pan

























