O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta terça-feira, 1º de abril, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), renuncie ao cargo. A declaração foi feita após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que aponta supostas interferências do magistrado em negociações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em entrevista no Senado, Flávio afirmou que, se as suspeitas forem confirmadas, Moraes não teria mais condições de permanecer na Corte. Ele ressaltou a gravidade das acusações, que incluem a edição de contratos pela esposa do ministro com o banqueiro, além de possível influência para favorecer Vorcaro em investigações.
O parlamentar também mencionou que Moraes teria atuado como uma espécie de advogado informar de Vorcaro, o que comprometeria sua imparcialidade. Para Flávio, as revelações são um fardo para o STF, que não deveria ter de lidar com esses problemas.
Os documentos, que tiveram o sigilo suspenso, mostram que o contrato entre a esposa de Moraes, Viviane Barsi de Moraes, e o banqueiro, avaliado em R$ 131 milhões, teria sido editado pelo próprio ministro. Os metadados indicam participação direta dele no arquivo.
Além disso, o senador cobrou explicações do procurador-geral da República e do diretor-geral da Polícia Federal, que também foram citados nas investigações. Ele afirmou que todos os envolvidos devem prestar esclarecimentos claros sobre o caso.
Apesar das acusações, o material da PF revela que o ex-ministro Fábio Faria, do governo de Jair Bolsonaro, intermediou o primeiro encontro entre Moraes e Vorcaro, indicando que as relações se estendem a outros atores políticos.
O próprio senador Flávio Bolsonaro tem ligações com Vorcaro, tendo solicitado recursos financeiros para produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até agora, ele não divulgou detalhes sobre a origem ou o uso desses valores.
Vorcaro é apontado como peça central em um dos maiores esquemas de corrupção do país, envolvendo o sistema financeiro, governos estaduais, o INSS e políticos de diferentes espectros partidários.
Diante dessas revelações, o senador afirmou que aguardará o avanço das investigações, mas insistiu na necessidade de Moraes se afastar do cargo para que a Corte não seja ainda mais prejudicada. Ele enfatizou que o ministro deve explicações sobre as acusações que pesam contra ele e sua esposa.
Fonte: Veja
























