Histórias de superação e recomeço marcam o trabalho da Rede de Atenção Psicossocial de Criciúma, que oferece suporte a pessoas que enfrentam dependência química, sofrimento emocional ou risco de vida. Um dos exemplos é Carlos (nome fictício), de 58 anos, que encontrou no Centro de Atenção Psicossocial II Álcool e Outras Drogas (CAPS II AD) a força necessária para retomar sua trajetória. “O CAPS foi a solução pra mim. Esse lugar me deu muita força”, relata.
O município é reconhecido como referência em Santa Catarina por dispor de uma rede completa de saúde mental, com serviços para diferentes níveis de complexidade e faixas etárias. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) funcionam como principal porta de entrada para a atenção especializada, que inclui os CAPS.
Carlos conta que o vício começou na adolescência, aos 13 anos, e que recaídas marcaram sua trajetória. Há três anos, em meio a crises de ansiedade, chegou ao CAPS II AD. “Aqui eles nos apoiam, dão amor. A gente é amigo de todo mundo. Os médicos conversam com a gente, apertam a nossa mão, fazem brincadeiras no corredor. Tratamento igual esse não existe”, diz.
Já a dona de casa Ana (nome fictício), de 49 anos, frequenta o CAPS II há cerca de dois anos. Ela buscou ajuda para enfrentar a depressão desencadeada pela perda dos pais. As atividades oferecidas ajudaram a modificar sua forma de lidar com os sentimentos. “Aqui fui muito bem recebida e acolhida. O CAPS é como uma família para mim porque encontrei pessoas que me ajudaram e me fizeram sentir importante e querida”, comenta.
Criciúma dispõe de quatro Centros de Atenção Psicossocial. O CAPS II atende adultos com transtornos mentais graves e persistentes; o CAPS III funciona 24 horas, com acolhimento noturno para casos que exigem cuidado intensivo; o CAPS II AD é voltado a pessoas com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas; e o CAPS I atende crianças e adolescentes. “Quando falamos em saúde mental, estamos falando de cuidado, acolhimento e, principalmente, de oferecer caminhos para que as pessoas possam buscar ajuda quando precisam. Criciúma tem uma rede estruturada para atender diferentes situações e públicos. Esse trabalho é feito diariamente pelas nossas equipes, que estão preparadas para acolher e acompanhar cada pessoa de acordo com a sua necessidade”, ressalta o prefeito Vagner Espindola.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, os CAPS adotam a lógica de porta aberta, especialmente para situações que demandam atenção especializada em saúde mental. Assim, o usuário que procurar diretamente o CAPS, sem necessariamente passar por um médico na UBS, será acolhido e avaliado. “A porta de entrada da rede é a Unidade Básica de Saúde, onde o usuário pode ser acolhido e ter sua situação avaliada. Mas também é importante que as pessoas saibam que os CAPS funcionam com porta aberta para as situações que precisam de atenção especializada. Isso facilita o acesso ao cuidado e permite que a equipe identifique qual é o acompanhamento mais adequado para cada caso”, destaca.
A convivência no CAPS também auxiliou Ana a encontrar novas maneiras de lidar com a perda dos pais. Ela reconhece que a saudade permanece, mas aprendeu a ocupar os espaços da rotina e a compartilhar experiências positivas. “A gente nunca esquece a dor porque sente falta. Mas aprendi a ocupar todos os espaços, a fazer as atividades e a trazer coisas boas para os outros, mesmo quando estou triste. A gente cai, é normal, mas tem que levantar a cabeça”, afirma.
Para Ana, parte da mudança veio da possibilidade de preencher a rotina com novas experiências. A jardinagem tornou-se uma forma de ocupar o tempo e cuidar da mente, assim como as oficinas de artes e outras atividades. “Gosto de jardinagem, colocar as mãos na terra, plantar e cuidar. Se você planta uma rosa e não cuida, ela morre. A gente também precisa cuidar de si, do corpo e da mente”, declara.
Carlos também passou a participar das atividades oferecidas pelo CAPS. Toca violão, canta, participa do sarau e do grupo de saúde. “Aprendi a trocar as coisas ruins por coisas boas. Comecei a gostar de coisas boas. Hoje toco violão, canto, participo das atividades. A gente começa a gostar de outro tipo de coisa e vai deixando aquilo para trás”, conta. Mesmo frequentando o CAPS apenas uma vez por semana, ele afirma que não pretende romper o vínculo. “Já estou bem melhor, mas não consigo parar de vir. Aqui tem gente para conversar, tem atividade, tem acolhimento. Foi um lugar onde me encontrei. O CAPS me deu muita força para conseguir chegar até aqui”, destaca.
Somente neste ano, foram realizados cerca de 70 mil atendimentos nos quatro CAPS da Rede Municipal de Saúde. Em 2025, foram registrados aproximadamente 83 mil atendimentos ao longo do ano. Isso significa que, em pouco mais de 10 meses, os CAPS já alcançaram mais de 85% de todo o volume atendido no ano anterior.
De acordo com o gerente de Saúde Mental de Criciúma, Leandro Maffei, entre as demandas mais frequentes estão os transtornos de ansiedade e depressivos, crises de saúde mental, transtornos mentais graves e persistentes, uso prejudicial de álcool e drogas, entre outros. “A procura pelos serviços mostra que a saúde mental precisa ser acompanhada de forma contínua e em diferentes pontos da rede. Nem toda situação exige o mesmo tipo de atendimento, por isso é importante que o usuário seja acolhido e tenha seu caso avaliado pela equipe. A partir disso, conseguimos direcionar o cuidado e a
Fonte: Pref. de Criciúma

























