
A ansiedade é um mecanismo natural de sobrevivência, mas quando se torna debilitante, é classificada como um transtorno patológico. Diferente de uma reação passageira, a ansiedade clínica em crianças não possui uma causa única, resultando de uma complexa interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Atualmente, estima-se que até 10% da população pediátrica sofra de algum transtorno ansioso.
A Influência da Genética e do Temperamento
Um dos principais preditores para o desenvolvimento da ansiedade é a hereditariedade. Crianças com antecedentes familiares de transtornos de ansiedade ou depressão apresentam um risco significativamente maior de desenvolver quadros semelhantes. Além da carga genética, o temperamento da criança desempenha um papel crucial; aquelas que apresentam “comportamento inibido” — uma tendência precoce de se afastar frente a novidades ou situações sociais — possuem uma vulnerabilidade neurobiológica herdada para o desenvolvimento de fobias e ansiedade social no futuro. No nível cerebral, estudos de neuroimagem destacam a hipersensibilidade da amígdala na avaliação de ameaças como um componente central desses transtornos.
O Papel do Ambiente Familiar e do Estilo Parental
O contexto em que a criança cresce é determinante para o desencadeamento de sintomas patológicos. A superproteção parental, também chamada de “acomodação”, é um fator de risco paradoxal: ao tentarem poupar o filho de qualquer sofrimento ou situação temida, os pais acabam reforçando o medo e impedindo que a criança desenvolva autonomia e resiliência. Outros fatores familiares estressores incluem:
- Conflitos e brigas constantes na presença da criança.
- Falta de diálogo ou excesso de cobranças e pressões.
- Modelagem de comportamento, onde a criança percebe e imita a ansiedade excessiva dos próprios pais.
Eventos de Vida Estressores e Traumas
Mudanças abruptas e perdas significativas são gatilhos comuns para a ansiedade patológica, como o transtorno de ansiedade de separação. Entre os eventos mais citados pelas fontes estão a separação dos pais, a morte de um ente querido ou animal de estimação, e mudanças de escola, cidade ou país. Experiências traumáticas diretas, como agressões físicas ou verbais, abusos, acidentes ou o testemunho de situações violentas, podem evoluir para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
O Impacto do Contexto Global
Recentemente, a pandemia de COVID-19 atuou como um potente desencadeador ambiental. O isolamento social, o medo do contágio, a perda de rotina e o luto por pessoas próximas dobraram os níveis de ansiedade e depressão entre jovens globalmente. A exposição excessiva a notícias assustadoras e informações confusas na mídia também contribui para elevar o estado de alerta e a catastrofização em crianças predispostas.
A identificação precoce dessas causas é essencial, pois a ansiedade não tratada tende a um curso crônico, podendo acarretar prejuízos escolares, sociais e a persistência de problemas psiquiátricos até a vida adulta.
Psicóloga Juliana da Rosa Mengue – CRP 12/4706
WhatsApp: 48 99835 0620 – E-mail: julipsa10@gmail.com




















