O Assaí Atacadista anunciou uma guinada em sua estratégia de negócios. A partir de agora, a companhia vai focar na venda de canetas emagrecedoras e na abertura de farmácias dentro de suas lojas, deixando de concentrar esforços apenas na inauguração de novos pontos de venda.
A meta é transformar as unidades existentes em centros de serviços integrados, que reúnam farmácias, serviços financeiros, postos de combustível e um marketplace. A iniciativa surge após a compra de 66 lojas do Extra em 2021, que consumiu cerca de R$ 7 bilhões.
Segundo a empresa, o objetivo é elevar a rentabilidade em um cenário de juros altos — atualmente em 15% ao ano — e aliviar a pressão financeira gerada pela adaptação das unidades antigas. A primeira etapa do projeto será iniciada nesta quinta-feira (16), com a abertura da primeira farmácia na unidade da Marginal Tietê, em São Paulo.
O CEO do Assaí, Belmiro Gomes, afirmou que a entrada no setor farmacêutico é um passo natural para a empresa. “Se conseguimos vender alimento barato, também podemos vender medicamento barato”, disse ele em entrevista à Exame.
Gomes explicou que milhões de consumidores já frequentam as lojas para abastecer suas casas e pequenos comerciantes realizam suas compras. “Agora queremos ampliar essa jornada oferecendo novos serviços no mesmo lugar”, completou.
A farmácia da Marginal Tietê funcionará como projeto-piloto para testar o desempenho da operação. Caso os resultados sejam positivos, a empresa planeja acelerar a expansão. “O plano é chegar a mais de 200 farmácias nos próximos anos”, afirmou Gomes.
Somente em 2026, a expectativa é inaugurar 25 unidades farmacêuticas. O projeto aproveita uma vantagem estratégica: o Assaí recebe cerca de 40 milhões de consumidores por mês em mais de 300 lojas espalhadas pelo Brasil.
Na avaliação do executivo, poucos concorrentes têm localização, fluxo de clientes e escala suficientes para negociar preços competitivos na compra de medicamentos. A venda de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Wegovy, também está nos planos.
Gomes acredita que esses medicamentos à base de GLP-1 vão impactar diretamente os hábitos alimentares da população. “Acho que vai impactar o mercado alimentar como um todo. É uma revolução da medicina”, declarou.
Para se adaptar, a companhia já começou a ajustar seu portfólio. “Sabemos que haverá uma redução no consumo de carboidratos e bebidas alcoólicas e um aumento no consumo de proteínas, suplementação e creatina”, destacou.
O movimento explica investimentos anteriores feitos pela empresa. “Quando entramos no açougue e no fatiamento, já era justamente para aumentar nossa participação na venda de proteínas”, lembrou Gomes.
As canetas emagrecedoras também estarão disponíveis nas novas farmácias. “Depois que uma farmácia é inaugurada, precisamos esperar alguns dias para começar a vender as canetas”, explicou.
Apesar do otimismo, Gomes avalia que a popularização desses medicamentos ainda levará anos. “Pode ser em 2028, 2030 ou até 2040. O importante é que o Assaí esteja preparado”, concluiu.
Fonte: ND+


























