O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde o início da série histórica, em 2012. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Foram contabilizadas 40.775 vítimas, com taxa de 19,1 casos para cada 100 mil habitantes — uma redução de 8,2% em relação a 2024 e de 31% acumulada desde 2012.
O indicador MVI engloba homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. O levantamento é produzido com informações das secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias civis, militares e federais, além de outras fontes oficiais, sendo considerado o mais amplo retrato estatístico da segurança pública no país.
Entre as unidades da federação, Santa Catarina apresentou a menor taxa, com 7,6 mortes por 100 mil habitantes, seguida por São Paulo (7,8), Distrito Federal (9,6), Rio Grande do Sul (11,3) e Minas Gerais (12,9). No extremo oposto, Amapá (42,5), Bahia (36,8) e Ceará (34,7) lideram as taxas mais altas. Regionalmente, o Sul tem a menor taxa (11,9), enquanto o Nordeste (31,6) e o Norte (25,3) registram os piores indicadores.
Embora o Anuário não apresente ranking de cidades mais seguras, o Atlas da Violência 2026 — produzido pelo FBSP em parceria com o Ipea — aponta os municípios com menores taxas estimadas de homicídios em 2024. Lidera Jaraguá do Sul (SC), com 2,0 homicídios por 100 mil habitantes, seguido por Brusque (SC), com 2,6, e Santa Bárbara d’Oeste (SP), com 3,2. Das 20 cidades com menores índices, todas estão no Sul e Sudeste: 13 paulistas, quatro catarinenses, duas mineiras e uma paranaense. Entre as capitais, Florianópolis (9,7) e Distrito Federal (10,9) têm as menores taxas.
Apesar da queda geral, o FBSP alerta que a violência atinge desproporcionalmente jovens negros: 90,8% das vítimas em 2025 eram homens, 79,7% negras e 41,6% tinham entre 18 e 29 anos. Além disso, problemas como feminicídios, letalidade policial e crimes digitais permanecem elevados. A redução dos homicídios não elimina outros delitos, e a classificação de uma cidade como ‘mais segura’ considera apenas a taxa de mortes violentas, sem refletir roubos, furtos ou violência doméstica.
Fonte: Redação XMNews


























