ORÇAMENTO BILIONÁRIOCBF reúne federações para conter crise e reafirmar apoio a presidente Xaud

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promoveu, nesta terça-feira, um encontro com vice-presidentes e líderes de federações estaduais em sua sede na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Oficialmente, a pauta incluía avanços estruturais do primeiro semestre e o planejamento para os ciclos das Copas do Mundo de 2027 e 2030. Nos bastidores, no entanto, o objetivo principal foi conter a insatisfação e buscar equilíbrio no ambiente interno.

O evento foi convocado em meio a um clima tenso na entidade, após a seleção brasileira ser eliminada precocemente na Copa do Mundo, perdendo para a Noruega. A situação se agravou com denúncias de que o presidente Samir Xaud teria usado recursos da agência oficial da CBF para custear viagens pessoais. O Lance! teve acesso a documentos que indicam despesas com passagens para a irmã do dirigente, uma influenciadora digital e uma empresária, pagas pelo gabinete da presidência e por federações.

Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, saiu em defesa de Xaud. Segundo ele, o encontro serviu para ratificar a unidade em torno do presidente e das federações. Carvalho afirmou que a gestão atual não precisa se justificar e deve focar em avançar. Ele criticou opositores que, em sua visão, não aceitam a nova administração. O dirigente pernambucano ainda disse que, se necessário, estão prontos para enfrentar qualquer conflito.

Leomar Quintanilha, presidente da Federação do Tocantins, que atuou como chefe da delegação brasileira no Mundial, declarou que os problemas envolvendo Xaud não interferiram no trabalho da comissão técnica. Ele destacou que a CBF agiu com profissionalismo, escolhendo um hotel adequado e isolado, o que permitiu que os atletas se entrosassem. Quintanilha defendeu que o momento é de foco na melhoria do trabalho, não de apontar culpados.

Os desafios não se limitam ao desempenho esportivo e às denúncias financeiras. A CBF enfrenta uma disputa interna de poder em duas frentes. Uma delas envolve a exclusão da Cazé TV, plataforma controlada pela Livemode, da concorrência pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. A liga Futebol Forte União (FFU), que havia escolhido a empresa para negociar os ativos do grupo de clubes, sofre ataques judiciais de membros com pouco peso no cenário nacional.

Nesse contexto, o CSA moveu uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e obteve uma decisão que impede a parceira da FFU, a Sports Media Entertainment (SME), de criar obstáculos para a saída de clubes do bloco. O Amazonas FC, por sua vez, entrou na 12ª Vara Cível de Manaus questionando as garantias para a emissão de R$ 950 milhões em debêntures pela SME. O presidente do clube confirmou ao Lance! que a intenção é recuperar os direitos de transmissão.

Essa briga entre emissoras se entrelaça com a luta interna na CBF. Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, é uma figura influente nos bastidores da entidade. Após as denúncias contra Xaud, ele telefonou para presidentes de federações para acalmar os ânimos e reforçar seu vínculo com os dirigentes. Mendes liderou as negociações com os clubes para criar uma liga única sob a tutela da CBF. Embora não seja declarado abertamente, há interesse em que os direitos de transmissão estejam livres para negociações futuras conjuntas.

A Globo já apresentou uma proposta para manter a exclusividade da Copa do Brasil até 2030, com planos de expandir a transmissão via streaming pela GeTV. A relação entre a CBF e a Cazé TV não é amistosa. Um dos vice-presidentes mais antigos da confederação, Fernando Sarney, é proprietário do grupo Mirante, cuja emissora é afiliada da Globo. Sarney foi o interventor responsável pelo processo eleitoral que elegeu Samir Xaud em 2025.

O pai de Xaud, Zeca Xaud, presidiu a Federação Roraimense de Futebol por longos anos. Ambos compartilham uma aliança com o ex-senador Romero Jucá, do MDB, mesmo partido pelo qual Samir tentou, sem sucesso, se eleger deputado em 2022, ficando como suplente. Jucá é aliado político da família Sarney desde os anos 80. Um dos pontos de atrito entre Samir e Fernando foi a exoneração, em setembro de 2025, de Eurico Pacífico, dirigente do beach soccer, que contava com o apoio do grupo do Maranhão.

O encontro desta terça-feira buscou, portanto, reforçar a base de apoio a Xaud em meio a múltiplas crises: o desempenho esportivo, as denúncias de uso indevido de recursos, a disputa pelos direitos de transmissão e as tensões com clubes e federações. Apesar das turbulências, os presidentes de federações presentes sinalizaram unidade em torno da atual gestão.

Fonte: Lance

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