POLÍTICACentrão vê operação contra Ciro Nogueira como retaliação do STF por rejeição de Messias

Integrantes do Centrão no Congresso interpretam a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira como retaliação do STF, ligando-a à recente rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga na Corte.

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Integrantes do Centrão no Congresso Nacional avaliaram que a operação da Polícia Federal (PF) realizada nesta quinta-feira (7) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido, seria uma retaliação do Supremo Tribunal Federal (STF). A leitura nos bastidores é de que a Corte, através do ministro André Mendonça, responsável pelo caso do Banco Master, teria enviado uma mensagem clara aos parlamentares após a recente rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF.

Mendonça era um dos principais apoiadores de Messias no Judiciário. Evangélico, assim como o ex-Advogado-Geral da União (AGU), o ministro via na indicação de Messias uma oportunidade para diminuir seu isolamento dentro do STF. O perfil pacificador de Messias também era bem-visto por Mendonça, que se mostrava incomodado com a escalada de tensões entre os Três Poderes.

Com uma oposição firme ao governo e uma base governista coesa, o Centrão desempenhou papel crucial na rejeição de Messias, como tem ocorrido em diversas votações importantes desde a redemocratização. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é apontado como o principal articulador da derrota da indicação. Irritado com o governo e desejando ver o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no Supremo, Alcolumbre teria mobilizado colegas para demonstrar a força do Poder Legislativo.

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Contudo, a avaliação é que Alcolumbre não teria conseguido barrar a indicação sem o apoio de importantes líderes do Centrão, grupo ao qual Ciro Nogueira é considerado uma das figuras mais influentes nas últimas décadas.

No Palácio do Planalto, o voto de Ciro era inicialmente esperado como favorável a Messias, dado seu apoio declarado anteriormente. Um vídeo do Senado mostra o presidente do PP evitando reações imediatas após a derrota de Messias. Apesar disso, aliados atribuíram ao senador parte da influência na não aprovação do nome.

Congressistas também consideram que, além da retaliação, Mendonça autorizou a operação para refutar rumores de que o caso Master seria “arquivado” após um suposto acordo entre Centrão e oposição para rejeitar Messias. O ministro, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estaria buscando demonstrar a Brasília, e em especial aos seus colegas do STF, sua lealdade exclusiva ao Judiciário. Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, foi um dos principais articuladores do governo anterior no Legislativo.

Outra interpretação que circula nos bastidores é a de que a ação teria motivações eleitorais, visando desgastar Ciro Nogueira no Piauí. Inclusive, na mesma quinta-feira, o pré-candidato apoiado pelo senador no estado, Joel Rodrigues (PP), cancelou um evento de lançamento de vice. Atualmente, o Piauí é governado por Rafael Fonteles (PT), e a oposição local já utiliza a operação para enfraquecer o grupo político de Ciro.

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Fonte: Jovem Pan

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