TARIFAÇOComissões criticam governo por tarifas dos EUA e pedem negociação

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As Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado manifestaram nesta quinta-feira (16) forte descontentamento com a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciada na noite de quarta-feira (15). Os parlamentares cobram uma postura mais técnica e menos política por parte do governo federal.

O presidente da comissão na Câmara, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), classificou a atuação do governo como “irresponsável” e disse que as tarifas constituem “uma grave derrota diplomática e comercial para o Brasil”.

Segundo o deputado, informações oficiais norte-americanas indicam que o fracasso das negociações se deveu à “postura de má-fé” do Brasil, que teria priorizado interesses políticos e eleitorais em vez de uma condução técnica e orientada pela defesa da economia nacional. A declaração foi feita em nota oficial divulgada pelo parlamentar.

Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), também criticou a postura brasileira e afirmou que o colegiado trabalhou desde o início para estabelecer canais de diálogo com o Congresso dos Estados Unidos.

Trad defendeu que o Brasil não deveria recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica neste momento, embora reconheça que ela fortalece a posição negociadora do país. “Qualquer medida deve ser adotada com responsabilidade, baseada em critérios técnicos e levando em consideração seus impactos”, escreveu em nota.

O senador enfatizou que a negociação é o caminho mais eficiente para preservar empregos, investimentos e a relação econômica bilateral. A posição de Trad surge em meio à possibilidade, levantada pelo governo brasileiro, de utilizar a Lei da Reciprocidade como resposta às tarifas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já havia sugerido que o país saberá aplicar a norma no momento oportuno para retaliar as medidas norte-americanas. O tema tem gerado debate entre os parlamentares sobre a conveniência de uma resposta mais dura.

Ao longo desta quinta-feira, o governo brasileiro tentou rebater as acusações feitas pelos Estados Unidos, negando que tenha abandonado as mesas de negociação. O Palácio do Planalto afirmou que o país sempre esteve aberto ao diálogo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou o presidente Lula e afirmou que as políticas econômicas brasileiras são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”, acusando o governo petista de não negociar de boa-fé. Em resposta, o Planalto reiterou que nunca deixou de comparecer às reuniões.

Na noite desta quinta, o presidente Lula usou as redes sociais para se manifestar, compartilhando o pronunciamento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta a Rubio. “Não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros”, escreveu Lula.

O governo dos EUA confirmou na quarta-feira a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil a partir de 22 de julho, seguindo indicação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos). As tarifas são adicionais às alíquotas já existentes: um produto que paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%.

Apesar de a medida prever isenção para itens como café e carne, setores importantes da economia brasileira serão afetados. A autoridade norte-americana ainda afirmou que revisará as ações caso o Brasil adote retaliações.

No início de junho, o USTR propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite investigações e retaliações contra práticas comerciais consideradas injustas.

Fonte: CNN Brasil

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