ANSIEDADECorpo e emoção: como torcer pelo Brasil sem sobrecarregar o coração

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Quem afirma que vai assistir à partida da Seleção Brasileira com total tranquilidade pode estar enganando a si mesmo. Quando o time nacional entra em campo, o organismo reage: os batimentos cardíacos se aceleram, as mãos ficam suadas, as pernas se movem involuntariamente e a respiração se altera. Até mesmo quem prometeu manter a calma acaba se levantando diante da televisão.

Torcer pelo Brasil durante uma Copa do Mundo é uma verdadeira jornada emocional. O jogo começa no apito inicial, mas tudo se prepara antes: a camisa é escolhida, a família se reúne, o churrasco é organizado, as apostas são feitas nos grupos de mensagens e uma ansiedade positiva toma conta de quem sabe que, por 90 minutos, cada lance se torna assunto nacional.

O médico Glaycon Michels, doutor em Medicina do Esporte, explica que o torcedor, mesmo sem estar em campo, vivencia a partida como se estivesse. Durante os momentos mais intensos, muitos pulam, gritam, se levantam do sofá, seguram a respiração e acompanham cada jogada como se fizessem parte do ataque, da defesa e das cobranças de pênalti.

“Não sabemos em que condições o coração se encontra”, alerta o especialista. A afirmação não tem o objetivo de assustar, mas de destacar um ponto importante: cada torcedor chega ao jogo com seu histórico de saúde. Uns são fisicamente ativos, outros levam uma vida mais sedentária. Alguns controlam bem a pressão arterial, enquanto outros nem desconfiam que ela está elevada. E há ainda aqueles que combinam emoção, alimentação pesada, bebida alcoólica e pouca hidratação em um só pacote.

Na prática, quando a partida fica tensa, o corpo entra em estado de alerta. Glaycon explica que o sistema nervoso simpático, responsável pela reação de “luta ou fuga”, é ativado. Isso libera adrenalina, acelera os batimentos cardíacos e pode aumentar a pressão arterial. É como se o organismo interpretasse que precisa reagir a uma grande ameaça — mesmo que essa “ameaça” seja apenas um contra-ataque do adversário.

E aqui entra o aspecto mais tipicamente brasileiro da situação. Em dia de jogo, a torcida raramente acontece de forma isolada. Há churrasco, cerveja, petiscos, reunião familiar, debates sobre a escalação, críticas ao técnico e defesas do atacante que perdeu o gol. Para o médico, esse ritual faz parte da cultura, mas pode sobrecarregar o corpo.

A boa notícia é que não é preciso abrir mão da festa. A ideia é apenas organizar melhor o roteiro. Em vez de começar horas antes com comida pesada e bebida em excesso, o especialista sugere deixar o churrasco mais leve para antes e durante o jogo, e reservar o mais pesado para depois. Com a bebida, vale a mesma lógica: moderação e ingestão de água nos intervalos.

Também é importante ficar atento aos sinais do corpo. Palpitações rápidas em um lance decisivo podem ser apenas emoção. No entanto, dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, suor frio, tontura forte ou mal-estar persistente exigem cuidado e atendimento médico.

No fim das contas, torcer pelo Brasil é exatamente isso: coração na mão, olhos na tela e emoção até o último minuto. A diferença é que é possível viver tudo com mais leveza, sem transformar cada lance em um teste para o coração. Afinal, se a Seleção precisa estar preparada em campo, o torcedor também merece chegar bem ao apito final.

Fonte: O Cruzeiro Notícias

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