AVICULTURADemanda por proteína premium impulsiona inovação e sanidade na cadeia animal

publicidade

O mercado global de proteína animal passa por uma transformação profunda, impulsionada por consumidores mais preocupados com saúde e longevidade. Essa tendência força a cadeia produtiva a oferecer itens com alto valor agregado, rastreabilidade completa e padrões sanitários elevados.

Um dos fatores que aceleram esse movimento é a difusão dos medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. De acordo com o relatório “Global State of Health Wellness 2025”, cerca de 31% dos consumidores globais enxergam esses tratamentos de forma positiva, e eles estão alterando hábitos alimentares em vários países.

Na prática, quem usa esses remédios tende a consumir mais proteínas de boa qualidade e alimentos ricos em nutrientes, com o objetivo de preservar a massa magra durante a perda de peso. Esse comportamento já se reflete no mercado interno brasileiro.

O “Relatório Anual 2026” da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostra que o consumo por pessoa de carne de frango atingiu 46,7 kg em 2025, contra 45,5 kg no ano anterior. Já a carne suína passou de 18,6 kg para 19,1 kg no mesmo período.

Thaís Vieira, médica-veterinária e gerente de marketing de Monogástricos, afirma que essa demanda mais exigente aumenta a responsabilidade sanitária de toda a cadeia. “Esse consumidor qualificado exige que o Brasil, maior exportador global de frango, entregue não só volume, mas uma garantia inquestionável de segurança alimentar. Nesse sentido, a escolha de ferramentas adequadas para sanidade animal, como vacinas, deixa de ser mero detalhe técnico e se torna um diferencial competitivo”, diz.

As granjas atuais pouco se parecem com as do passado. Elas operam como ambientes altamente tecnológicos, com controle digital de temperatura, ventilação e iluminação; sistemas automáticos de alimentação e monitoramento de água; protocolos rigorosos de biosseguridade; controle de acesso e desinfecção contínua; rastreabilidade total da produção; e uso crescente de inteligência artificial para monitorar as aves.

Leia Também:  Grêmio inicia instalação de Ring LED de 600 metros na Arena

Esse grau de automação permite respostas rápidas a qualquer alteração sanitária ou comportamental, aumentando a previsibilidade e reduzindo riscos. No processamento industrial, a tecnologia também avança: centrais de classificação de ovos usam inspeção automatizada, e frigoríficos operam com sistemas de rastreabilidade que acompanham cada lote da origem ao consumidor.

O controle da Salmonella se consolida como um indicador de excelência sanitária na avicultura moderna. A bactéria, presente naturalmente no ambiente, é monitorada constantemente pela indústria e órgãos reguladores, com ênfase em prevenção e segurança alimentar.

O avanço tecnológico mudou a abordagem do setor frente a esse desafio. Estratégias corretivas deram lugar a medidas preventivas integradas, combinando biosseguridade, manejo, nutrição e vacinação. “A avicultura brasileira alcançou maturidade sanitária. As granjas modernas seguem protocolos rígidos, usam alta tecnologia e integram dados, o que permite antecipar riscos e oferecer alimentos cada vez mais seguros”, destaca Thaís Vieira.

No Brasil, o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), sob coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece diretrizes rigorosas para monitoramento e mitigação dos riscos de Salmonella. Sorovares de maior relevância para a saúde pública, como Enteritidis e Typhimurium, são acompanhados em toda a cadeia.

Letícia Dal Berto, gerente técnica da Elanco para Aves, explica que a integração de diferentes estratégias é a base dos resultados atuais. “Hoje falamos de um sistema integrado, onde biosseguridade, nutrição, manejo e vacinação atuam em conjunto. Esse conjunto sustenta o controle eficiente da Salmonella na produção moderna”, afirma.

Leia Também:  Campanha de Vacinação Contra a Dengue em Balneário Arroio do Silva

O avanço tecnológico e sanitário fortaleceu a competitividade brasileira no mercado internacional. Atualmente, o Brasil responde por cerca de 36% do comércio mundial de carne de frango, consolidando-se como o maior exportador global. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país exportou mais de 5,3 milhões de toneladas em 2025, um recorde histórico, superando sozinho o volume combinado de grandes concorrentes como EUA e China.

Esse desempenho reflete a capacidade da cadeia brasileira de atender mercados altamente exigentes em segurança alimentar, qualidade sanitária e rastreabilidade. Com o aumento das exigências globais, a vacinação ganhou protagonismo na avicultura industrial.

Letícia Dal Berto ressalta o papel das vacinas na redução da colonização bacteriana e na disseminação de patógenos nas granjas. “Ao atuar diretamente na redução da colonização das aves e da disseminação da bactéria, as vacinas se tornam um dos pilares da segurança alimentar contemporânea, além de contribuir para práticas mais sustentáveis e alinhadas à redução do uso de antibióticos”, diz.

Para especialistas, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma exigência regulatória para se tornar um atributo de valor percebido pelo consumidor. A combinação de digitalização das granjas, inteligência artificial, rastreabilidade e vacinas mais eficazes aponta para uma nova fase da produção animal brasileira, com mais precisão sanitária, sustentabilidade e confiança do mercado.

“A evolução da avicultura mostra que a segurança dos alimentos não depende de uma única solução, mas de um sistema integrado que combina tecnologia, ciência e boas práticas”, conclui Thaís Vieira.

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade

RELACIONADAS