O mercado brasileiro de veículos eletrificados vive uma expansão acelerada. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que já circulam mais de 90 mil automóveis exclusivamente elétricos no país. Esse número sobe para 215 mil quando se contabilizam também os modelos híbridos, que unem motores a combustão a sistemas elétricos.
A infraestrutura de recarga acompanhou o crescimento. O Brasil conta com aproximadamente 25 mil pontos de abastecimento, segundo a ABVE. As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte, com cerca de 15 mil eletropostos, especialmente em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Ainda assim, todas as unidades da federação possuem ao menos 50 pontos disponíveis.
Com essa facilidade, muitos consumidores ponderam a troca por um modelo eletrificado. A dúvida comum é: vale mais um veículo 100% elétrico ou um híbrido atende melhor o dia a dia? Para Alan Ladeia, especialista do setor automotivo e CEO da Carflix, a decisão envolve mais do que tecnologia: trata-se de uma escolha comportamental.
Ladeia afirma que o comprador precisa avaliar a própria rotina, a distância percorrida e o acesso a recarga para entender qual solução se encaixa melhor. Ele ressalta que não existe resposta única, pois cada perfil de uso conduz a uma alternativa mais adequada.
Os veículos totalmente elétricos (BEV) oferecem vantagens como economia e sustentabilidade, já que não emitem poluentes durante a operação. A manutenção tende a ser mais barata, pois não há motor a combustão, e o custo por quilômetro rodado é inferior. Além disso, são silenciosos e frequentemente trazem mais tecnologia embarcada.
Por outro lado, os BEVs dependem da infraestrutura de recarga e exigem mais tempo para abastecer em comparação a um carro convencional. O preço de compra também costuma ser elevado. Esse perfil é mais indicado para quem roda predominantemente em áreas urbanas e tem acesso fácil a carregadores em casa, no trabalho ou em condomínios.
Os híbridos atuam como uma ponte entre os modelos tradicionais e os puramente elétricos. Eles oferecem maior autonomia, combinando motor elétrico e a combustão, o que elimina a dependência exclusiva de tomadas. Reduzem o consumo de combustível, diminuindo emissões e custos mensais.
Contudo, os híbridos ainda emitem poluentes, possuem manutenção mais complexa devido aos dois sistemas de propulsão e têm custo de rodagem superior aos elétricos puros. São indicados para quem faz viagens frequentes ou não dispõe de infraestrutura de recarga consolidada, pois proporcionam eficiência energética sem alterar drasticamente a rotina.
Existem quatro categorias principais de híbridos. A primeira é o Híbrido Leve (MHEV), em que o motor elétrico atua apenas como gerador e assistente, sem tracionar o veículo sozinho. Funciona com tensão de 12V ou 48V e não requer recarga externa.
O Híbrido Convencional (HEV) alterna automaticamente entre o motor a combustão e o elétrico, ou usa ambos simultaneamente. Consegue percorrer curtas distâncias apenas com eletricidade, recarregando a bateria nas frenagens.
O Híbrido Plug-in (PHEV) possui baterias maiores, permitindo rodar como elétrico por 50 a 100 quilômetros, desde que seja carregado em tomada ou eletroposto. É uma opção intermediária que mescla autonomia elétrica com flexibilidade de combustível.
Por fim, o Elétrico com Extensor de Autonomia (EREV) traciona as rodas apenas com o motor elétrico. Um pequeno motor a combustão funciona como gerador para recarregar a bateria enquanto dirige, podendo ser carregado na tomada e também usar combustível.
Na prática, a escolha entre elétrico e híbrido está atrelada ao estilo de vida do motorista. Carros 100% elétricos são mais indicados para quem circula em cidades, têm acesso a recarga e busca baixo custo de manutenção aliado a inovação. Já os híbridos atendem melhor quem viaja com frequência e ainda não conta com infraestrutura de carregamento ampla, mas deseja reduzir o consumo de combustível sem abrir mão da autonomia.
Fonte: O Cruzeiro Notícias


























