VERSÕESEUA rejeita reversão de classificação do PCC e CV como terroristas

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O governo dos Estados Unidos afirmou que a decisão de rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras dificilmente será anulada. A declaração foi feita pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira.

Roberson rejeitou qualquer interferência de políticos brasileiros, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na medida. Segundo ela, o processo de classificação foi interno e vinha sendo analisado há meses pela administração do presidente Donald Trump.

“Normalmente, designações deste tipo não são revertidas”, afirmou a porta-voz, ao ser questionada sobre a possibilidade de retirada da classificação. O objetivo, segundo ela, é enfraquecer e eliminar as atividades criminosas nos EUA, no Brasil e em outras nações.

A declaração ocorre um dia após o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciar oficialmente a inclusão das duas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A medida passa a vigorar em 5 de junho.

Nos últimos dias, membros da família Bolsonaro celebraram a decisão. Flávio Bolsonaro defendeu publicamente a classificação após reuniões em Washington com integrantes do governo americano. Roberson, no entanto, negou qualquer influência parlamentar.

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“A designação foi uma decisão do presidente Trump e da sua equipe”, declarou. Ao ser questionada especificamente sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro, a representante respondeu que “é só o presidente Trump que toma a decisão” e que ele age de forma independente.

A porta-voz explicou que o enquadramento das facções exigiu investigações detalhadas e avaliações técnicas de especialistas do governo. “Não é algo que se faz de um dia para o outro”, afirmou.

A medida gerou apreensão em setores do governo brasileiro e do mercado financeiro, com temores de impactos em instituições bancárias e operações internacionais. Roberson tentou acalmar esses receios.

“As designações são específicas para atividades com estes dois grupos. Empresas e pessoas que não têm nada a ver com esses grupos não serão afetadas”, disse. As sanções incluem bloqueio de bens nos EUA, restrições de visto, proibição de transações financeiras e criminalização de apoio material.

Questionada sobre possíveis sanções futuras a bancos brasileiros, ela evitou especulações e afirmou que, por ora, as medidas atingem apenas PCC e Comando Vermelho.

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Outra preocupação em Brasília é a possibilidade de a classificação justificar ações militares americanas. Roberson descartou essa hipótese. “Essas designações não têm nenhuma consequência militar. As ações militares não estão relacionadas a esse tipo de medida”, afirmou.

Ela disse ainda que os EUA pretendem manter cooperação com o Brasil em segurança pública e combate ao crime organizado. “Queremos ver o governo brasileiro também aumentando as medidas e tomando ações mais rigorosas para eliminar esses grupos”, declarou.

Ao justificar a decisão, Roberson revelou que autoridades americanas identificaram atividades do PCC e do Comando Vermelho em 12 estados norte-americanos, fator que motivou a classificação.

Por fim, a representante do Departamento de Estado afirmou que Washington mantém diálogo constante com autoridades brasileiras, mas negou que o governo Lula tenha sido formalmente informado antes do anúncio de Rubio.

Fonte: O Sul

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