ECONOMIAGoverno tenta frear PEC de R$ 30 bilhões aprovada no Senado; entenda impactos

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O governo federal atua nos bastidores do Congresso para impedir a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, aprovada com ampla maioria no Senado. A iniciativa, que estabelece regras especiais de aposentadoria para agentes de saúde e de endemias, representa um custo estimado em R$ 30 bilhões ao longo da próxima década. A equipe econômica busca convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a suspender o andamento da proposta até que seja feita uma avaliação detalhada de seus impactos fiscais.

Além das mudanças previdenciárias, o texto proíbe expressamente a contratação temporária ou terceirizada de profissionais dessa categoria. Com isso, as prefeituras teriam até 31 de dezembro de 2028 para regularizar todos os vínculos trabalhistas, eliminando contratos precários. A medida afeta cerca de 341 mil trabalhadores em todo o país, gerando preocupação nos municípios com possíveis violações à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) devido às regras de paridade e integralidade salarial.

A aprovação ocorreu sob forte pressão da categoria e com apoio de partidos da base governista, como o PT, que liberaram suas bancadas. O Planalto sofreu uma derrota significativa, deixando a equipe econômica isolada. Caso a promulgação ocorra sem negociação, o governo estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que o Congresso criou uma despesa vultosa sem indicar fontes de financiamento.

Em declaração ao Correio Braziliense, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou que a via judicial é uma possibilidade real. Ele destacou que o texto precisa ser reavaliado antes da promulgação e que um questionamento fiscal junto ao STF é provável. A equipe econômica considera que a PEC fere a legislação orçamentária ao impor gastos sem contrapartida.

A proposta estabelece uma transição para os profissionais já em atividade: a aposentadoria exige 25 anos de contribuição, com idade mínima inicial de 50 anos para mulheres e 52 para homens, válida até 2030. Esse patamar sobe gradualmente a cada cinco anos, atingindo 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens) a partir de 2041. Quem trabalhar além dos 25 anos ganha um desconto de um ano na idade mínima por ano extra, limitado a cinco anos.

A União arcará com um “Benefício Extraordinário” para quem se aposentar pelo INSS, cobrindo a diferença entre o teto previdenciário e o salário integral recebido durante a ativa. Esse custo adicional eleva o impacto fiscal estimado para R$ 30 bilhões em uma década, pressionando ainda mais as contas públicas federais.

Para os municípios, o maior temor é o efeito cascata das regras de paridade e integralidade, que garantem aos aposentados os mesmos reajustes dos servidores ativos. Isso pode comprometer os limites de gastos com pessoal estabelecidos pela LRF, obrigando prefeituras a cortar investimentos ou até mesmo a recorrer a operações de crédito.

O governo tenta ganhar tempo para calcular com precisão os custos e buscar alternativas de mitigação. Enquanto isso, a categoria de agentes de saúde e endemias comemora a aprovação, considerando a medida uma vitória histórica que valoriza o trabalho desses profissionais, especialmente após o período de pandemia.

A tramitação relâmpago no Senado, com calendário especial para votação em dois turnos, foi comandada por Davi Alcolumbre, que atropelou prazos e ignorou pedidos de mais discussão. O movimento foi visto como uma resposta à forte mobilização sindical e política da categoria, que promete novas manifestações caso a promulgação seja bloqueada.

Se a PEC for promulgada, caberá ao STF decidir sobre sua constitucionalidade, especialmente quanto à ausência de indicação de fonte de custeio. A Advocacia-Geral da União (AGU) já prepara argumentos jurídicos para contestar a medida, baseando-se no artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que exige estimativa de impacto orçamentário e financeiro para proposições que criem despesas.

Analistas políticos avaliam que o embate entre Executivo e Legislativo pode se intensificar nos próximos meses, com novas “pautas-bomba” surgindo como forma de pressão sobre a gestão fiscal do governo. A PEC 14/2021 tornou-se um símbolo desse conflito, expondo as dificuldades de conciliar demandas sociais com equilíbrio orçamentário.

Fonte: NSC Total

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