O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com uma dívida total de R$ 54 bilhões em atraso, segundo dados da Serasa Experian. A taxa de inadimplência entre produtores e empresas do setor atingiu 8,2%, acendendo um alerta para toda a cadeia produtiva.
Os arrendatários rurais, que alugam terras para cultivo, são os que mais contribuem para o endividamento. O índice de inadimplência nesse grupo chega a 9,9%, superando outros perfis de produtores e aumentando o risco para proprietários que dependem da renda dos arrendamentos.
O impacto financeiro é amplificado pelo modelo de pagamento adotado em muitos contratos agrícolas. Diferentemente de financiamentos, que parcelam o débito ao longo do ano, diversos acordos de arrendamento preveem quitação única anual, atrelada ao ciclo produtivo.
Em regiões de alta produtividade, o valor do arrendamento pode variar de R$ 1,2 mil a R$ 3,5 mil por hectare, podendo superar essa faixa em áreas valorizadas. Proprietários que dependem exclusivamente dessa receita podem sofrer perdas severas quando o pagamento não é efetuado no prazo.
Segundo Paulina Caiado, advogada especialista em direito civil e agrário, a demora no recebimento compromete a subsistência de famílias que têm no arrendamento sua única fonte de renda anual. “Quando esse valor não é pago, a pessoa passa um ano inteiro sem sustento”, alerta.
A elevação da inadimplência no campo está ligada a uma combinação de fatores. Eventos climáticos extremos, aumento dos custos de insumos como fertilizantes, defensivos e combustíveis, além da queda e volatilidade dos preços das commodities, reduziram a rentabilidade dos produtores.
Outro agravante é a maior dificuldade de acesso ao crédito rural, que limita a capacidade de investimento e de capital de giro. Especialistas apontam que o cenário exige uma postura mais cautelosa por parte de quem arrenda terras.
Contratos de arrendamento frágeis são outro fator de risco. Paulina Caiado destaca que muitos proprietários enfrentam dificuldades para cobrar valores atrasados devido a acordos mal redigidos. A ausência de multas, cláusulas confusas e falta de documentação podem transformar um atraso em prejuízo irreversível.
Para garantir segurança jurídica, os contratos devem especificar valores, formas de pagamento, datas de vencimento, penalidades por atraso e garantias de cumprimento. A formalização adequada é decisiva para que o proprietário consiga recuperar os valores devidos.
O levantamento da Serasa Experian também revela disparidades regionais. A inadimplência no agronegócio alcança 12,5% na região Norte, enquanto no Sul é de 5,7%. A diferença reflete fatores como estrutura produtiva, acesso a seguros agrícolas e presença de cooperativas.
Diante do avanço do endividamento, especialistas recomendam que produtores e donos de terras adotem uma gestão mais preventiva. O contrato de arrendamento deve ser visto como uma proteção financeira, e não como mera formalidade.
“A combinação de endividamento elevado, instabilidade de mercado e aumento da inadimplência coloca a gestão financeira e jurídica como pilares essenciais para a sustentabilidade do agronegócio”, conclui Paulina Caiado.
Fonte: Portal do Agronegócio


























