GEOPOLÍTICAIrã acelera reposição de drones durante trégua com EUA

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O Irã acelerou a reposição de seu arsenal de drones durante o cessar-fogo temporário com os EUA, indicando que a ofensiva militar americano-israelense não afetou a indústria bélica iraniana na intensidade divulgada anteriormente por Washington. A informação foi publicada pela CNN, com base em fontes de inteligência anônimas.

Relatórios anteriores já apontavam que o Irã preservou parte de seu arsenal de mísseis e drones em instalações subterrâneas, como bunkers e silos, que escaparam dos ataques aéreos. Agora, novos dados mostram que, durante a trégua para negociações, o país iniciou uma recomposição acelerada do que foi perdido.

Além dos drones, as Forças Armadas iranianas recuperaram plataformas de lançamento de mísseis e instalações industriais militares. O ritmo atual de reposição sugere que a capacidade total de drones pode ser restaurada em seis meses, e não em anos, como algumas autoridades militares americanas declararam.

Isso se deve, em parte, ao fato de que os danos iniciais foram menores do que o relatado. Outro fator apontado é a colaboração da Rússia e da China, que estaria fornecendo ao Irã os meios necessários para a recuperação. A China nega a alegação, mas o premiê israelense Benjamin Netanyahu já acusou Pequim de enviar componentes para a indústria bélica iraniana.

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Imagens de satélite analisadas pelo New York Times em fevereiro, antes do conflito, já mostravam que o Irã priorizava a reconstrução do programa de mísseis em detrimento do nuclear, como estratégia para responder rapidamente a ataques. Com o início da guerra, essa previsão se confirmou: o Irã lançou ondas de mísseis e drones contra bases americanas, Israel e alvos em países vizinhos, arrastando nações do Golfo para o conflito.

A inconsistência entre declarações públicas de autoridades americanas e os relatos de inteligência não é novidade. O Washington Post revelou que 228 bases e equipamentos americanos foram atingidos pelo Irã, danos superiores ao que foi divulgado oficialmente.

Analistas apontam que Teerã prepara estratégias para uma possível retomada dos confrontos, incluindo o disparo de “dezenas ou centenas de mísseis” para dissuadir o inimigo. O impacto seria maior sobre países do Golfo, como Emirados Árabes, Kuwait, Arábia Saudita e Catar, que já foram bombardeados na primeira fase da guerra.

Outra estratégia planejada seria o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, via crucial perto do Iêmen, onde os aliados Houthis operam. Não está claro, porém, o quanto o grupo rebelde colaboraria nesse momento.

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Dentro do Irã, o regime tenta manter a mobilização popular em torno da resistência patriótica. Em Teerã, civis recebem treinamento com fuzis AK-47, ministrados por soldados da Guarda Revolucionária, em estandes de tiro montados nas últimas semanas.

Fonte: O GLOBO

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